Eu na fila do banco. Cabelos soltos pelos ombros. Puto com o dinheiro que foi depositado na conta errada. Já tinha o texto pronto pra esfregar na cara de pau do gerente. Três horas da tarde, a agência lotada. Eu odeio bancos e tudo o que diz respeito a eles.
Na minha frente, um velho de pulôver com um garoto agarrado à sua perna. Olho para o pequeno, que presumo ser seu neto. Ele me olha e me encarar com o dedão enfiado na boca. Tento sorrir pra ele, mas o máximo que consigo é mostrar os dentes.
"Como você chama?", ele me pergunta. "Gustavo", respondo. Ele vira-se para o avô e puxa de leve a calça do velho. Manda uma certeira: "Vô, você não disse que só mulher tem cabelo comprido?".
O sujeito me olha por detrás de lentes amareladas de um óculos de armação de aro de tartaruga. Sorri pra mim sem jeito. Devolvo o mimo. "Ele queria deixar o cabelo crescer, então tivemos que arrumar uma desculpa, né?", me confidencia. "Não, tudo bem, eu entendo. Criança é assim mesmo", torno.
Ele menea a cabeça e vira pra frente. Eu esqueço por alguns instantes as sandices que ia dizer pro engravatado de cabelo empastado.
Agora é que não corto mesmo.
I'm Winston Wolfe. I solve problems.
domingo, julho 17, 2005
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Um comentário:
eh.. na vida os homens tem duas opções:
1 - ser homem
2 - ser cabeludo
rs...
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