I'm Winston Wolfe. I solve problems.

sábado, outubro 21, 2006

Information Society


    Quando tinha por volta de 15 anos comprei minha primeira revista de música. Era uma Showbizz, espécie de segunda encarnação da então finada Bizz. Em formato gigante, trazia Courtney Love na capa e uma camisinha encartada. Devorei a revista em poucos minutos e segui comprando outros números, inclusive a "bombástica" edição que trazia Renato Russo na capa e a revelação de um caderno com letras inéditas do falecido compositor - letras que anos mais tarde seriam gravadas pelo Capital Inicial do dono da brochura, Fê Lemos.

    Mas aí, sem mais nem menos, a publicação começou a dar sinais de cansaço. O formato diminuiu para o padrão de revista quinzenal e as grandes reportagens deram lugar a quilos de resenhas. Pouco tempo depois, a Showbizz sumiria de vez das bancas.

    Anos depois surgiram outras revistas de música no vácuo deixado pela Showbizz. A Zero e a Mosh são duas das mais significativas. Porém, tiveram vida ainda mais curta. Grana sempre foi o problema alegado. Realmente não deve ser fácil manter uma revista de música para um público que, em sua maioria, é formado por gente que vive pela Internet - o que inclui se informar através dela, tornando dispensável qualquer outro veículo. Em 2005 a Bizz voltou. Mas não dá sinais que vá durar muito, já que nem assinatura ela possui. No mínimo, estranho.

    Eu aponto, entretanto, um outro fator que tornar o terreno editorial musical tão pedregoso por aqui: a falta de opinião. Aliada ao excesso de oportunismo. É fácil ver quando uma publicação "escolhe" um lado. Ela se torna chata, enfadonha, piegas até. E faz isso por "n" motivos. Um deles é não desagradar os patrões, no caso, as gravadoras. Querem ficar ganhando disquinho de graça e, claro, ter anúncios publicados em suas páginas. Por isso, cometem o maior pecado que o jornalismo de opinião pode ter: o de não ter opinião! Porque escrever sobre música é expôr opinião, pombas! Se o sujeito é ruim, lenha nele. Se é bom, palmas para ele.

    Fora as panelinhas. O editor-chefe de uma revista monta uma redação, por execelência, com gente alinhada com seu perfil. Não há opiniões contrárias, debate de idéias ou choque de informações. Apenas reprodução de um senso-comum. E isso, com o tempo, vai desgastando a revista. O leitor percebe que o conteúdo torna-se pobre e repetitivo, que basta ver a capa da revista para saber o que vai estar escrito nela. A informação se perde no meio da babação-de-ovo exagerada, fofoquinhas e boataria, três dos expedientes mais baixos - e mais utilizados - no meio. Sem contar o egolatria...
    Parece que a única fonte de informação que foge à essa regra encontra-se na Internet. Gente que realmente sabe do riscado e não tem rabo-preso com gravadora, artista e o escambáu. E, mais importante, que tem opinião e não tem medo de destrinchá-la por aí. Agora, com a Rolling Stone brasileira, que chegou às bancas essa semana, a coisa pode mudar de figura. Na rápida olhada que dei no exemplar que levei pra casa, ela não deixa nada a dever para sua matriz. Tomara.
          UPGRADE
          Após a primeira leitura, encontro um pecado venial na RS. Uma reportagem em primeira pessoa, espécie de diário de bordo, escrita pelo baterista da banda Cansei de Ser Sexy, atualmente em turnê pelo exterior. Nela, Adriano Cintra discorre sobre suas bebedeiras e - quando se lembra - dos shows em cidades dos EUA. Um tipo de umbiguismo sem graça e totalmente dispensável, mas facilmente explicável: a Trama, gravadora do CSS, tem anúncio de página inteira na revista sobre a turnê gringa da banda. Então tá então.

        12 comentários:

        Anônimo disse...

        Olá, Li atentamente seu post sobre as duas revistas e vi que ele tem semelhanças com um outtro texto conforme o link:
        V=http://thiagoc.blogspot.com/2006/10/uma-semana-de-imprensa.html

        Você o transcreveu de algum lugar ou você teria dois blogs?

        Abraços

        Anônimo disse...

        Anônimo,
        é só comparar os horários. O que está escrito aqui no Zipernaboca foi postado ANTES.

        Anônimo disse...

        Gus, além de tudo, o chupinhador do outro blog só libera os comentários depois de analizá-los. Lamentável!

        Brigateando disse...

        Caralho! Pô, citar tudo bem, mas COPIAR NA CARUDA é dose, hein? Putz... Tanks Bia!

        Biajoni disse...

        fica na miúda com o copiador aí.
        ;>)

        Anônimo disse...

        Gustavo, sou o Thiago aqui de Fortaleza.
        Infelizmente esse blog foi perdido por mim faz alguns dias. Alguém conseguiu capturar minhas senhas, inclusive de e-mail. O Blog era uma espécie de relato pessoal(fotos, textos e comentários)
        Fiquei muito chateado, só vi agora, pois consegui mudar a senha do Gmail. Não posso fazer nada além de lamentar o transtorno causado a nós dois, pois também perdi muitos textos.
        Estou aqui para qualquer dúvida que precise.
        Certo de sua compreensão espero não ter causado problemas para seus leitores.
        Thiago

        Anônimo disse...

        Aff maria... O Gustavo tá ficando tão pop que já é visado na rede mundial!!!! Peloamor... Mas, pelo que li em algumas reportagens e pela coluna do Miguel Sokol, a revista é bem diferente da Bizz. Pra melhor, claro.

        Anônimo disse...

        Olá Gustavo, fiz um post no meu blog falando sobre esse caso estranho. Achei estranhas as explicações do Thiago, mas pelo menos ele se manifestou.
        Quanto a RS, gostei dela também, mas vi outros defeitos além desse que você citou sobre o CSS. As resenhas são anódinas e alguns textos muito grandes. A matéria sobre a Gisele Bündchen não sustenta a afirmação da capa de que ela é nossa popstar brasileira. E o Marcelo Rubens Paiva fez um almoço para a Mariana Ximenes e ele não consegure tirar dela declarações que fujam ao clichê. Ele perguntou se ela desejaria fazer um papel de vilã. Eis sua resposta: "Queria. São personagens que têm mais nuances. São mais fáceis de compor". Ora, onze entre dez atores dizem a mesma coisa quando perguntados sobre o tema. Ah, e dentro em breve será possível fazer assintatura da Bizz. Abraços

        Biajoni disse...

        lamentável mesmo na revista é o comentário de um tal pablo myizahkdjshkh na seção de cinema, falando dos desenhos (sic) da caixa da pantera cor-de-rosa. ele nunca deve ter visto um filme do peter sellers.
        :>/

        Brigateando disse...

        Rodney, concordo com você. Lendo com mais atenção, de fato a matéria com a Gisele é o mesmo caso do CSS: a Grende, que fabrica as sandálias dela, fez anúncio de página dupla na revista. Suspeito, não? E Paiva realmente decepcionou, entrevistinha xôxa, sem graça, sem conteúdo. O que salva mesmo, de fato, é o conteúdo importado. Fica aqui até uma sugestão: traduzam a revista toda e boa.
        A propósito, não sei qual o seu blog e fiquei curioso. Bota o endereço dele aqui pra gente.

        Anônimo disse...

        Tá na mão:

        http://laboratoriopop.uol.com.br/pagina.php?abrir=texto_colunista.php&idcolunista=16

        Abraços

        disse...

        Infelizmente o mercado editorial brasileiro, principalmente de revistas, nunca atingiu números como o americano.
        Bem mais fácil desprender o rabo de qq patrocinador quando a tiragem mínima das revistas é 20 vezes maior que a daqui.
        Mas curti muito o texto.

        Bj