- A Fergie cantando o clássico do Heart "Barracuda", na trilha sonora do "Shrek Terceiro", é cópia melhorada e muito mais interessante do vocalista do Rush, Geddy Lee. Baixem, ouçam e curtam.
- O Ina tá na Rolling Stone deste mês, com direito a abre de página sobre o DVD do Pato Fu. Se tudo der certo, ele vira editor-chefe e me chama pra escrever lá.
- Livro novo do Bia em breve na parada. De partir o coração-melão do mais bruto dos sertanejos. Prova que a paternidade faz um bem danado.
- O fiadaputa do Galvão cometeu novamente um post que me valeu uma repreensão de toda a redação tamanho o ataque de risos que tive.
- Não conheço nada que me deixe tão de pau duro quanto "No Pussy Blues", do Grinderman. Cave parou de chorar e fez a música mais tesuda do mundo. Para ouvir a dois e bêbado(s).
I'm Winston Wolfe. I solve problems.
terça-feira, maio 29, 2007
Coisinhas
sexta-feira, maio 25, 2007
quinta-feira, maio 24, 2007
Fase
A vida de uma boa banda passa por fases. Algumas boas - normalmente o início - outras ruins - do meio para o fim. Para fãs, admiradores ou mesmo aqueles que se dispõe a olhá-las como algo além da simples expressão de egos inflamados, é comum ter suas preferências. E dentro de uma preferência por uma fase, é normal que se admire mais uma ou outra canção em detrimento de outras do mesmo balaio. Comigo é assim com os Rolling Stones.
"Wild Horses" é considerada a balada mor dos Rolling Stones. Difícil encontrar quem não a tenha entre as 10 mais para embalar fossas ou rodar a esmo pela cidade remoendo alguma dorzinha-de-cotovelo. Ela faz parte de Sticky Fingers (1971), o segundo de uma quadrilogia de discos em tudo perfeitos - e não sou só eu que acho. É trilha sonora de grandes filmes, como "Adaptação", e idiotices legais, como "Ligado em Você". De tão emblemática, ganhou um novo videoclipe, desses classudos em preto-e-branco e tal. De tão legal, um monte de gente fez suas próprias versões, e até em propaganda de enlatado foi usada.
Mas eu simplesmente não consigo gostar dela.
Nada pessoal. Ou melhor, tudo pessoal. Ouço Mick Jagger cantando que "cavalos selvagens não conseguiriam me tirar daqui" e penso "porra, sempre morei na cidade. O que diabos cavalos têm a ver comigo?". É isso que sinto. Quer dizer, não sinto. Não sinto nada. Balanço a cabeça concordando com o ritmo, apenas esperando pela próxima faixa. Nunca cravei um repeat nela como costumo fazer com aquilo que de fato me cala fundo.
E isso às vezes me incomoda. Se gosto dos Stones, em especial a parte que importa - e nela "Wild Horses" está invariavelmente inclusa - não deveria apreciar a referida balada também? O dedilhar de violões de Richards me remete a uma paisagem campestre e árida, da qual compartilho apenas a segunda parte. O que Jagger canta pra mim não faz o menor sentido. Não extraio dalí nenhum tipo de sentimento, nenhum recordação, nenhuma metáfora, nada.
Se uma boa canção precisa pelo menos te fazer parar o que está fazendo para ouví-la com mais cuidado, definitivamente não é o caso de "Wild Horses". Para mim, "Out of Tears", do irregular Voodoo Lounge (1994), é que tem esse poder. O simples ouvir do piano inicial me traz uma enxurrada de recordações, arrepia os pêlos do antebraço e me faz querer cantar junto e dedilhar um air guitar.
Só que "Out of Tears" faz parte de uma outra fase stoniana. Diferente de "Wild Horses", que marca o ápice criativo e revolucionário dos Stones, minha balada preferida remete ao tempo em que Jagger e cia. se transformaram numa empresa bem consolidada dentro do showbusiness disposta a tudo para faturar qualquer trocado. Logo, é decente e recomendável gostar de "Wild Horses", citá-la como preferida dentro do seu gênero, saber tirá-la numa roda de camaradas ou mesmo saber cantar seu refrão. Já "Tears" pertence ao rol de canções que se prefere esquecer não por serem ruins, mas por lembrarem de um tempo onde seus autores perderam o respeito por si mesmos. Logo, pega mal gostar dela ou até mesmo dizer que, ah, tem uma levada bonita.
É estranho concluir isso. Por admirar demais determinada fase de uma banda - até com certa razão - acaba-se por abrir mão de gostar do que ela faz depois disso. Rotula-se a música que esse grupo faz entre antes e depois. "Ah, agora eles são uma farsa. Antes, sim, era bom", destacam. Claro, não dá pra comparar Beggar´s Banquet com Dirty Work. Mas mesmo dentro do segundo, que é estupidamente inferior em todos os sentidos ao primeiro, existem bons momentos. Momentos que acabam sendo desconsiderados pelo todo que a obra representa dentro de uma lógica que divide uma discografia em fases.
Apreciar um grupo por fases é uma maneira de se manter acomodado e limitar o gozo do que realmente importa, no caso, a música. Esteja ela num clássico revolucionário sessentista ou numa peça feita para faturar com anúncios de carro.
quarta-feira, maio 23, 2007
Vestibular na catraca
Você é estudante? E tem a famigerada carteirinha que comprova sua situação? Se sim, é certo que costuma fazer uso dela para pagar meia-entrada onde quer que vá. E, claro, você adora isso - e quem não gosta de economizar uns trocados para a pipoca e o refrigerante enquanto assiste a "Duro de Matar" ou "Rambo"? Pois é, mas a mamata está para acabar.
Quem acompanha os cadernos de cultura deve saber que começou um movimento de empresas de entretenimento - especialmente salas de cinema - para endurecer a aprovação do benefício da meia-entrada. Segundo eles, há muito marmanjo picareta que forja carteirinha para aproveitar o desconto. Por isso, são obrigados a aumentar o preço dos bilhetes inteiros - o mesmo vale para shows, teatros, festas de peão, e congêneres.
Os que se dizem prejudicados defendem regras mais rígidas para dar meia-entrada. Desde apresentar boleto pago da última mensalidade até um boletim cheio de 10 mostrando que o sujeito é sim, um bom aluno e não apenas um turista. Para mim, tudo isso não passa de maldade. Maldade e leviandade, intriga da oposição. Querem dificultar o acesso a cultura dos pobres estudantes, essa grande nação de famélicos por conhecimento. Perseguição, isso sim. Onde já se viu duvidar que uma pessoa seja de fato um esforçado e esfolado acadêmico? Porque se tem uma coisa eu ninguém gosta ou se orgulha é de estudar, vamos ser sinceros. Então qual o motivo de algum mentir que frequenta a escola, e mais, mandar falsificar uma carteirinha que comprova a situação? Custo a acreditar que seja apenas para espoliar a indústria do entretenimento e chancelar a Lei de Gerson.
Penso, sim, que eles - se de fato existem - os falsificadores, querem é se sentir inclusos no meio estudantil. É gente que não teve oportunidade de freqüentar os bancos escolares e por isso, através da confecção de uma carteirinha falsa, pode pelo menos sentir o gostinho de se apresentar como estudante. E uma das únicas benesses de estudar é poder pagar menos para ter acesso a cultura, informação e conhecimento. Vai dizer que, além dos supracitados no primeiro parágrafo, filmes como "Homem-Aranha 3" não agregam valor? Ou "Harry Potter"? Ou "Todo Mundo em Pânico"? Tais obras são os que mais atratem estudantes, pode checar - todos sedentos por absorver cada gota dos diálogos inteligentes, do roteiro bem costurado e desafiador, da história original, do embate de idéias que se desenrola na tela, enfim.
Os estudantes - esse povo mal entendido e subestimado pelos donos do poder que regem as avassaladoras engrenagens do sistema - querem e merecem ter acesso a alta cultura proporcionada por Hollywood. Suas vidas serão certamente mais vazias se forem impedidos de saborear esse manjar de altruísmo e bem-aventurança que são os blockbusters feitos em Los Angeles. Oh, sim, não há dúvida.
Por isso, vida longa à carteirinha. Que cada vez mais gente tenha acesso a esse bem que, além de permitir o afortunamento cultural das massas que regerão nosso país no futuro, são também grandes instrumentos de inclusão social. Quanto ao dinheiro economizado, é certo que terá um destino tão nobre quando são as intenções dos conspícuos estudantes - sim, rejeito totalmente a idéia que gastarão seus suados e preciosos reais em atividades mundanas e nada enriquecedoras intelectuais. Porque são estudante, ora. E merecem todo nosso crédito, não?
segunda-feira, maio 21, 2007
Give my money back
Há um tempo atrás, coisa de cinco, seis anos, o único meio de encontrar música pela rede era através de compartilhadores de arquivo. Filhos do Napster, sempre tiveram um grave problema: a dependência de outro usuários. Era necessário - e ainda o é - estar conectado com outra pessoa que permita a você pegar as músicas dela. Pior é a diferença de velocidade de conexão, que aumentava as chances da rede "cair" e a transferência de dados ser interrompida. Não eram raros os CDs queimados faltando uma ou outra canção. Uma merda, enfim.
Então esqueça essas problemáticas e se jogue nas solucionáticas aqui ao lado, na nova seção Baixaria. Nela, listo alguns bons blogs para encontrar todo tipo de música. Do andergráundi ao meinstrêim, de novidades a raridades, não tem erro. Aconselho uma ronda diária por cada um. Para quem já é escolado na coisa, nenhum deles será novidade. Para os fiotões, é um bom começo.
Sim, eu fiz isso
Em 1997 eu não perdia uma domingueira do Rio Branco. Numa época pré-Internet, o rádio e os bailes animados pelo Som do Erik eram nossa única fonte de informação a respeito de música - sacaram o drama? É, não era nada fácil ser adolescente naquela época. O pior era, no auge da ebulição hormonal que caracteriza essa fase, acabar resvalando no inevitável pedantismo típico de quem quer mostrar um conhecimento que não possuiu. E foi numa dessas domingueiras que eu protagonizei um dos momentos de maior constrangimento da minha curta existência.
Estava então eu, trajando meu jeans acima do umbigo, camisa por dentro e um cinto - de verniz para combinar com o sapato - segurando isso tudo, quando as caixas de som gritaram algo como "Atenção! Viiiiiiiiiiideo Cliiiiiip". E do telão surgiu um grupo de cabeludos branquelos tocando a música que seria o hit daquele ano todo. Um pop tão grudento, mas tão grudento, que era possível sentir a viscosidade no ar. Era 1997 e os irmãos Hanson colocavam nas paradas "Mmmmmbop", sua única música de sucesso (uma prova da existência divina, não?). Do chão, braços cruzados, eu e alguns amigos conjecturávamos.
- São três caras? - levantou a bola o primeiro.
- Não, acho que são dois caras e uma menina. Tá na cara que o vocalista é uma garota - opinou um terceiro.
- E o que você conhece de garotas? - provocou o primeiro, emendando uma risadinha
- Mais do que você. Ou tá esquecendo daquela vez que dormi na sua casa e sua irmã... - retrucou de pronto o atacado, já se preparando para retaliação do outro, possivelmente física. Vendo que aquilo não teria fim, interrompi.
- Eu dava uns pegas na garota da guitarra - disse, sem pensar duas vezes.
- Ah, tá bom, você também é ridículo - falou um terceiro camarada.
- É sério, ela é bem gatinha. E pô, toca guitarra - insisti.
Coisa de uma semana depois, estava com os amigos de bobeira quando chega a namorada de um deles com uma Capricho na mão. Ela fica um pouco a parte do grupo e começa a ler. Não mais do que de repente, alguém do grupo grita: "Eles são homens!". Todos se viram para o sujeito, que grita novamente. "Os Hanson, pô! São três irmãos, e são homens. Olha aqui", diz, abrindo a revista e mostrando uma reportagem com o trio.
Antes que alguém fizesse qualquer ligação com o episódio da domingueira, comecei a procurar o meio mais rápido de sair dali. Mas não deu tempo. A garota que trouxe a revista manda um "ué? E alguém achava que eles eram meninas?". Foi pouco para o bando todo se virar para o branquinho aqui e espezinhar até a alma durante meses. Dalí em diante, toda vez que tocava uma música da banda alguém sempre levantava o história. "Ah, o Gustavo já quis dar uns ´catas´ nos Hanson", gargalhavam alucinadamente, "os filhos sairiam quase transparentes de tão brancos", e mais risos histéricos. Eu, claro, rezava para que o avião do grupo caísse no meio do Oceano Atlântico e nunca mais fosse encontrado.
Infelizmente, certas maldições do pop são eternas. Ainda hoje, 10 anos depois daquele infame comentário, é inevitável, durante encontros com os velhos companheiros, alguém lembrar do episódio. As risadas não são mais tão estridentes, mas ainda assim fica a lição. Em tempos de rapazes com sombras nos olhos e garotas de coturno, mantenho a boca fechada e os olhos bem abertos.
sexta-feira, maio 18, 2007
She
quinta-feira, maio 10, 2007
Manual de sobrevivência "indie"
- Wilco
Não esqueça as almofadas, cobertores e sacos de dormir. Se for levar as crianças, leite quente vem a calhar - Sonic Youth
Protetores auriculares são imprescindíveis antes, durante e depois da apresentação - Flaming Lips
Não dispense equipamentos de segurança, principalmente capacete. Nunca se sabe quando o vocalista vai querer surfar sobre você dentro de uma bola de plástico - Arcade Fire
No mínimo, duas caixas de lenço de papel. Para entrar de vez no clima, mangas bufantes e coletinhos são bem vindos - Radiohead
Recomenda-se pílulas para epilepsia no auge da agonia, digo, show - Arctic Monkeys
Leve dinheiro para groselha e paçoca-rolha durante o intervalo - Mika
Leques, sapatos de salto plataforma e muita, mas muita alegria pra dar e vender, amiga, ui! - Cansei de Ser Sexy
Qualquer edição da Ilustrada para consultar toda vez que você se perguntar “por que eu estou aqui mesmo?” ou “onde foi que eu li que isso aqui era legal?” - Spice Girls
Como? Elas não são “indie”? E nem existem mais? Ops, falha nossa, desculpem, vamos retirar esse tópico - Yeah Yeah Yeahs
Vide o tópico “Sonic Youth” - Magic Numbers
Um bom creme para as mãos é indispensável. Você vai bater palminhas como nunca na vida - Wolfmother
Escreva “deixa de ser picareta, cumpadi!” em qualquer disco do Black Sabbath da fase Ozzy Osbourne e leve junto com você. Jogue para o vocalista no início da apresentação - Pavement
Tá, o grupo acabou, mas nunca se sabe. Em caso de emergência, quebre o vidro e vista sua camisetinha básica - Beck
Não basta ser “indie”. É preciso participar. E como Zíper possui leitores que certamente e com prazer fazem parte dessa tribo, resolvi por bem ajudá-los num momento crucial para o “indie”: a hora do show. Sim, porque o país do carnaval recebe cada vez com mais freqüência um sem número de atrações do tipo e, vocês sabem, “indie” que é “indie” não pode ficar de fora de nenhuma.
Por isso, aqui seguem alguns conselhos para quem for freqüentar alguma destas preciosas e seletíssimas apresentações ao vivo. Ah, e não esqueça o visual “brechó-eu-não-estou-nem-aí-porque-sou-demais”.
terça-feira, maio 08, 2007
Educação sexual
- Pai, o que é um cabaço?
- Pega o dicionário. Agora procura o que é hímen.
- Tá, achei.
- E o que está escrito?
- Membrana que recobre a vagina.
- É isso.
- Só isso?
- Só.
- Ah...
Spiderteens
O Bia escreveu esse post aqui. Já vou logo dizendo que discordo. Discordo porque não se pode confundir curtição com falta de educação. Sim, educação, coisa que vem de berço, que se aprende em casa. Coisa que 90% dos espectadores daquela sessão desconheciam. Esse papo de
"A experiência do cinema - e isso eu digo sempre nos meus cursos -, é se deixar levar pelas emoções que os filmes causam. Chorar e rir quando quiser, gritar, uivar, bater palmas, pular na cadeira. Ver um filme como Homem-Aranha 3 é como ir ao Hopi-Hari e andar na montanha-russa. Tem que ser essa experiência catártica. Até quando é cinema profundo e nos faz doer a alma."
é furado. Quer fazer macaquice, apitar - sim, tinha um filhodaputa com um apito dentro da sala - fazer gracinha, se auto-afirmar pra namorada e os amigos, comentar o filme todo e pular na cadeira, espera sair em vídeo e faz isso na própria casa. Uma sala de cinema não é um estádio de futebol - e até nos estádio busca-se disciplina pelo bem geral. E disciplina não é cortar o barato de ninguém, é saber que o que você quer não é necessariamente o que a pessoa do seu lado quer. Concordo que, numa situação como a da pré-estréia do "Homem-Aranha 3", num cinema cercado por bairros periféricos e com entrada a R$ 10 (R$ 5 se você for estudante, ou seja, mais da metade dos presentes), o diferente era eu. Então eu que me mandasse. Pois bem, foi o que eu fiz.
Engraçado é o Bia defender uma coisa dessa sendo que ele próprio já se levantou contra tal. Caso ele não tenha se esquecido, lembro a vez que ele foi, junto com a filha, assistir a "O Labirinto do Fauno", no Cine Paradiso, em Campinas. Um casal não parava de conversar e isso o incomodava. Antes dele tomar uma atitude, outro ocupante da sala se adiantou e deu um esporro no casal. "Isso aqui é cinema, porra!", disse o cara segundo o Bia, que concordou, engrossando a voz num "é isso mesmo".
Corretíssimos! Agora porque "O Labirinto do Fauno" é cinema e "Homem-Aranha 3" não é? Porque num filme de ação é aceita a balbúrdia, a falta de educação, a putaria, e num filme "sério" não? Que diferença existe? Quer dizer que porque eu gosto de um filme de ação devo me acostumar com um ambiente onde sequer consigo ouvir o que os atore dizem? O cacete! Quero ir ao cinema, sentar minha bunda branca e magra na cadeira e experimentar tudo o que tenho direito sem ninguém interferir nisso.
quinta-feira, maio 03, 2007
Passando o rodo
Latino, o filósofo das multidões desencontradas, um dos maiores vendedores de discos do Brasil, ícone da juventude pós-Collor, gabou-se na edição de hoje do "Diário de S. Paulo" de ter traçado 5 mil mulheres.
- Num post inacreditavelmente inspirado, o truta Léo calcula quanto tempo o Poeta das Ombreiras precisou - e precisa, obviamente, porque a essa altura o número de vítimas é maior - para conquistar tal façanha.
- Eu proponho, agora, fundarmos a OEEELENR (Organização Ei Ei Ei Latino É Nosso Rei).
- E Gene Simmons orgulha-se de ter faturado meras 2 mil. Humpft!
quarta-feira, maio 02, 2007
Me engana que eu gosto
- Ah, cara, vou ficar nessa. Tô preocupado com essa barriga aqui, ó, que não para de crescer. Tá ficando foda...
- Tu é modelo de cueca?
- Quê?
- É, filhão, tu ganha dinheiro mostrando a barriga?
- Não...
- Então dá aqui seu copo, porra... com ou sem colarinho?
sábado, abril 28, 2007
Se enquadra, rapá!
Um dos melhores shows de rock que assisti até hoje aconteceu na praça de eventos do Tivoli Shopping, em 1999. Num palco improvisado, Lobão e três violões mostraram que é preciso muito pouco para fazer música de verdade. No final do set, empolgado pela platéia que o cercava e pedia bis, fechou ao seu estilo gritando, entre outros impropérios, que “A MTV é uma merda”. Na última semana, Lobão lançou seu novo disco. Um acústico. Um Acústico MTV. E isso, crianças, é uma dura e valiosa lição a ser aprendida.
Lobão foi sem dúvida um dos artistas mais importantes de sua geração. Daquele caldo ocre oitentista, ele foi o único que não olhou pra trás e buscou se posicionar de maneira coerente, mantendo firme suas posições musicais e políticas. E pagou caro por isso. Para fazer o que bem entendia, inventou de vender disco em banca de jornal e lançou três belas e pouco ouvidas bolachas. Sempre vociferando contra as grandes gravadoras, posando de paladino dos independentes, fera incapaz de ser domada. De 1999, data de sua estréia “oficial” no mercado fonográfico underground, até a última semana, Lobão era o último dos grandes heróis do rock brasileiro. Agora, bom, já não resta nenhum.
Ao contrário do que diz um antigo amigo de Lobão, nossos heróis não morreram de overdose. Eles venderam sua dignidade por discos de ouro e playbacks em programas de auditório. E o que mais dói no caso do velho lobo é que ele não pode ser acusado de “trair o movimento” porque jamais fez parte de um. Lutou sozinho o tempo todo, o que lhe dava crédito extra é bom ressaltar. Pior é lê-lo dando declarações estapafúrdias do tipo "o negócio melhorou" e "agora a coisa é diferente" para explicar porque aceitou fazer o programa. Melhorou o que? Diferente em que?
É só relembrar as verborrágicas e inglórias lutas de Lobão para saber que o músico não obteve sucesso em nada do que propôs de fato. Numeração de CDs para que o artista soubesse de fato o quanto vendeu? Jamais saiu do papel. Denúncia de pagamento de jabá para as rádios pelas gravadoras? Se a prática não aumentou, também não diminuiu. Se alguma de suas batalhas tivesse vingado ele poderia, sim, discursar que voltou para o mainstream porque agora se faz merecedor de um sujeito como ele. Mas isso não aconteceu. Então alguém pode me dizer o que leva Lobão a falar bobagens tão grandes quanto essas?
A resposta está no próprio cenário do teatro onde ele gravou seu Acústico MTV. O fundo é composto por grossas molduras de quadros. Mais metafórico e ao mesmo tempo didático impossível. Lobão foi enquadrado. Ou melhor, se deixou enquadrar pelo sistema que tanto criticou. E fez por dinheiro? Fama? Vontade de se ouvir nas FMs populares?
Não, crianças. Fez porque finalmente entendeu que a recompensa dos verdadeiros revolucionários, transgressores e rebeldes é o reconhecimento póstumo. E se ele quer se fazer ouvir agora, se quer que sua música chegue aos ouvidos dos 90% que não são ligados no mundinho dele, é preciso ceder. É preciso crescer e entender que as coisas não são exatamente como a gente quer.
Além de talento, é preciso inteligência pra fazer os frutos desse talento ser apreciados em seu devido tempo, e não quando já estiverem podres. A realidade, a vida, ao contrário do que prega seu primeiro disco independente, é mais amarga do que se imagina. E até um lobo precisa vestir sua pelinha de cordeiro de vez em quando se quiser sobreviver. Não há nada de errado nisso. Mas é preciso muito culhão para admitir o próprio fracasso.
quinta-feira, abril 26, 2007
Brincadeira de garoto
Não que eu queira ser moralista e tal, mas... a Playboy não é só para maiores de 18 anos?
quarta-feira, abril 18, 2007
Arredondando
Amanhã, 26 partindo para os 27. Para os chegados, baladzinha no corner de sempre. E uma música definitiva.
"Well, I'm just a modern guy
Of course, I've had it in my ear before
Well, I've a lust for life
'Cause I've a lust for life"
quarta-feira, abril 11, 2007
Decadence avec elegance

Amanhã do Aerosmith no Brasil - sim, São Paulo é o Brasil, o resto, pra cima de Ribeirão Preto de acordo com mestre Walter Bartels, é tudo Canadá. E tudo leva a crer a que o Morumbi estará lotado de novos e velhos fãs, todos pagando tributo para a bocarra de Steven Tyler berrando "yeah, yeah, yeah" no final de "Cryin", acendendo o celular na hora de "Crazy" e balançando as mãozinhas para o alto durante o refrão "Amazing".
Porque o Aerosmith é isso: um amontoado de deliciosos clichês que fazem dele um dos últimos bastiões do rock feito para ser ouvido e curtido coletivamente, de preferência num estádio lotado, durante uma apresentação com mais pirotecnia que técnica, mais emoção que música propriamente dita, mais encenação que ensaio, mais agradecimentos ensaiados na língua nativa do país onde se apresentam que palavrões espontâneos, mais pra lá do que pra cá, enfim.
A banda de Boston representa a decadência de um rock que definha a olhos vistos. O Aerosmith, em pleno século 21, ainda faz, por exemplo, referências ao demônio (o nome de sua turnê é Route of All Evil, mas desde sempre o grupo adora isso), coisa que nem o Iron Maiden mais tem coragem. Ainda mais quando o principal grupo da nova geração do pop rock - e queridinho da mídia - o canadense Arcade Fire, se inspira na bíblia e o que a cerca para compor seu novo disco. Nadar contra a corrente é tudo o que esses senhores parecem mais gostar de fazer.
Mas as novas e impúberes manadas não têm a manha se encher um estádio, é bom ressaltar. Não senhor. Se tivessem, duvido que os organizadores dos "indies" Tim Festival, Claro Q é Rock e Motomix não optariam por abrir os portões do Pacaembu ou o próprio Morumbi ao invés de suar para alcançar metade da lotação permitida no Tom Brasil ou na Arena Skol. Lotar campos de futebol é tarefa para grupos quase ou declaradamente circenses, que levantam platéias de todas as idades com canções feitas especialmente para tais espaços.
O Velvet Revolver, banda que abre o show, segue nessa pista aberta pelo pai do hard rock, o Led Zeppelin. Graças a este, espetáculo de rock que se preze não recebe menos que 50 mil pessoas. Foi assim com o Queen também, outro membro da classe que fez sua parte em concertos para, fácil, 100 mil cabeças.
Além da quantidade de gente, é preciso também agüentar o tranco por, no mínimo, um par de horas. Novamente isso é tarefa para esse bando de degenerados, velho caquéticos, que na casa dos 60, levam 20, 30 anos de hits nas costas como se fosse a primeira vez. Peça para os Strokes fazerem mais que uma hora e meia de show para ver o que acontece. Ou os pivetes do Arctic Monkeys. Para eles, essa porrada de festivais europeus onde só precisam tocar meia dúzia de músicas - ops, mas aí é o repertório inteiro! - são perfeitos. Vão lá, tocam suas guitarrinhas e correm pro telefone ligar para os pais e avisar que foi tudo bem (ou para o quarto chorar e escrever seus diários, no caso dos emos...).
O Aerosmith é um dos últimos representantes de algo que marcou no mínimo duas gerações. Não apenas musicalmente, mas em âmbitos maiores principalmente no que toca ao fazer shows. Formações como as de Tyler e Perry, Kiss e Queen, além de cantores solos como Bruce Springsteen, inauguraram o conceito hoje cada dia menos viável dos suntuosos espetáculos de música, com toneladas de efeitos visuais e sonoros, duração superior a duas horas e meia e muita, muita disposição sob o palco. São a definição perfeita de dinossauros do rock, apenas esperando sua hora chegar. Mas enquanto ela não chega, continuarão a fazer o que sempre fizeram. E isso é muito bom.
segunda-feira, abril 09, 2007
O diabo veste Armani
Longe demais da capital para acompanhar os lançamentos de bons títulos do cinema internacional off Hollywood, pude finalmente assistir em DVD, neste final de semana, o ótimo "O Crocodilo". A obra, da cineasta italiana Ninna Moretti, não à toa, foi muito bem avaliada em Cannes. Mais do que um exercício de metalinguagem - posto se tratar de um filme sobre a dificuldade de se fazer um filme - traz uma reflexão interessante sobre a onipresente figura de Silvio Berlusconi nas últimas três décadas na Itália e a total ausência de produções sobre ele.
Em "O Crocodilo", um falido produtor de filmes B se vê as voltas com uma jovem e inexperiente diretora louca para falar sobre o então presidente italiano. Mostra-se então a luta por recursos, a recusa de grandes companhias em patrocinar uma obra desabonadora para um dos homens mais poderosos do país, atores mais preocupados em fazer comédias que um filme de denúncia social e política, enfim. Tudo muito bem dirigido, cheio de tiradas engraçadas e passagens inspiradoras, sobretudo quando foca a relação do produtor com seus filhos e a iminente desintegração de seu casamento. É italiano e é lindo de morrer - o filme, não o produtor.
Mas a passagem que mais chama a atenção ocorre quando a dupla - produtor e diretora - tenta convencer um ator a interpretar Berlusconi. "Os Estados Unidos tem um monte de filmes sobre seus presidentes. Porque nós não temos?", pergunta a garota, recebendo como resposta do ator "o que você quer mostrar de Berlusconi que ninguém saiba? Todos sabem tudo sobre ele, não há o que mostrar mais". Como não há o que falar sobre um mandatário como Berlusco? Ele mesmo dá a pista. Durante um trecho real de programa de TV, ele discursa para líderes europeus dizendo que a maior parte das emissoras e jornais da Itália são, sim, seus e de sua família, mas são justamente seus maiores opositores, os que mais o atacam. Claro, o velho provérbio: mantenha seus amigos perto de você, e os inimigos, mais perto ainda. Numa cena ilustrada do filme, o presidente italiano conversa com o editor de um jornal, que afirmar ser um prazer falar mal dele. Este diz que acabou de comprar o diário, mas gostaria muito que ele, o editor, não mudasse sua postura e continuasse a atacá-lo.
Berlusconi não é burro. Sabe que, pelo bem ou pelo mal, é importante se manter na mídia. Ainda mais quando é acusado de crimes que, ele sabe muito bem, ninguém é capaz de provar. No melhor estilo Paulo Salim Maluf, sai a público para dizer que não há nada contra ele e que apenas seus eleitores podem julgá-lo. Mas isso apenas seus pares italianos sabem, e daí a importância de se fazer um filme e talvez um dos objetivos de Ninna Moretti com seu "Crocodilo". Espalhar o que os italianos já sabem para que o resto do mundo tire suas próprias conclusões - e de quebra, dizer o quanto isso é difícil.
Entretanto parece ser "coisa de latino" essa resistência em colocar em xeque uma figura, hã, querida pela massa. Nós mesmos não temos obras sérias sobre governantes ou demais sujeitos que fizeram história. Não, minisséries da Rede Globo não contam sequer como referência para figurino de época. Infelizmente esse não é um privilégio dos brasileiros. O mundo latino em geral - incluindo aí espanhóis e franceses - gosta de preservar seus mitos e mantê-los dessa forma, como intocáveis e irretocáveis figuras de importância inquestionável. Um triste legado dos militares que regeram essas nações década atrás.
Diferente, por exemplo, dos norte-americanos. Sim, os estadunidenses deve ser o povo que mais escarafuncha a vida de seus comandantes - não só presidentes, mas figuras históricas, políticas e culturais. Essa vontade de expor seus supostamente melhores sujeitos é uma característica que parece dizer respeito, cada vez mais, apenas a eles. Justamente o povo que mais dá razão ao pensamento Bretchniano e adora cultivar heróis, transformando pessoas em exemplos para qualquer ocasião quando a razão foge ao debate, não abre mão de saber e expor os podres de cada um tornando-os, vejam só, heróis de verdade, pois são, como todos, apenas cidadãos comuns que, por um motivo ou outro, servem de referência. Pelo menos isso, talvez, tenhamos a aprender com eles.
quarta-feira, abril 04, 2007
Ah, esses blogueiros e seus blogs maravilhosos...
O Bia fez esse post, essencial para qualquer um que queira se dar superbem na blogosfera. E pelo visto, ele vai fazer uma série incrível que, com toda certeza, será acompanhada por milhares, como um folhetim das oito do Manoel Carlos
Mas, pô, eu não podia deixar de publicar essa tirinha não menos essencial do Dahmer, que resume todos os comentários da caixa de comentários do referido post.
Mas, pô, eu não podia deixar de publicar essa tirinha não menos essencial do Dahmer, que resume todos os comentários da caixa de comentários do referido post.
quinta-feira, março 29, 2007
Panela na pressão
Igual a tudo na vida é o mundinho da literatura brasileira. Ou você faz parte de um grupinho ou faz parte de outro. Escolha o seu, oras. Com sorte, pode estar dentro daquele que, uma hora ou outra, descola uma boquinha como essa aqui. Se não, vai continuar a pastar e a lançar diatribes (ó que palavra bonita!) contra os contemplados - que, claro, do alto de sua importância auto-proclamada para o meio, gastarão o teclado para responder da mesma forma esquisita como fazem literatura.
Agora chega mais perto, leitor comum e inteligente, que faz parte de 90% das pessoas que jamais ouviram falar desse pessoal e viveu muito bem até hoje: você se importa com isso? Não com a farra do dinheiro público, indissociável de nossa sociedade, mas com o resultado disso. Você vai mesmo se dirigir a uma livraria e comprar um exemplar de algum desses escritores? Será que vai bater aquela vontade impossível de queimar alguns suados tostões para adquirir a mais nova obra de um sujeito que você nunca ouviu falar - no máximo leu em algum "grande" caderno de cultura ou site de "cultura pop" - de verdade?
Não, não vai. Assim como outros tantos projetos "de vanguarda", feitos por gente "descolada" e capitaneados por empresas "super antenadas", o lance vai fazer água. Não quero dar uma de profeta do apocalipse, mas é que a relevância desses sujeitos - e a tudo o que os concerne - é tão pequena que chega a dar pena. Não sei se seria diferente caso o grupinho privilegiado fosse outro, mas duvido. É tudo pirão da mesma cabeça de peixe. Agora dá licença que vou terminar meu Harry Potter.
terça-feira, março 27, 2007
Mulher feia sempre beija na balada
Se você é daqueles que fica até o rodo passar, sabe do que estou falando. Se não é, constate. Fique até o final de um rebenta-fígado qualquer. Aquela tipinha que ninguém sequer espiou de rabo de olho vai mandar uns dois ou três pra dentro da boca. E com o único esforço de se manter acordada e minimamente sóbria até a última das grandes presas abandonar o recinto, deixando os caçadores com seus rifles carregados e armados literalmente na mão. Com sorte, pode até presenciar um uni-duni-tê que ela se dará ao luxo de fazer, vingando-se secretamente da hora e meia atrás onde sequer era olhada de rabo de olho.
Sim, porque ela sabe seu lugar. Assim como suas contrapartes. Mas ao contrário destas, que normalmente vão para uma balada apenas para esnobar e zarpar rumo a uma solitária ducha quente, sentindo um certo prazer em demonstrar sua superioridade de fêmea absoluta e cheia de amor para NÃO dar, as feias não perdem tempo. Elas usam o tempo a seu favor. Estrategistas por natureza, esperam a hora certa para agir. E a hora certa para agir é quando o álcool já agiu e deixou o caminho traçado - no caso, os hormônios em fúria que substituíram o rifle de precisão pela .50 giratória. Sim, os hormônios não se preocupam com aparências e mais do que nunca estão no comando.
Já passa das 4h. Quem se deu bem antes disso não está mais por alí. Ela então aguarda. Imóvel, reencostada no balcão, aguarda lânguidamente a aproximação da vítima cambaleante. Ela tem o texto pronto, todas as perguntas e respostas, é escolada na coisa tanto quando seu negativo, que numa hora dessas ainda está, provalmente, retirando a maquiagem e chorando sua falta de sorte, lamentando porque não encontrou o Tiago Lacerda da sua vida, se perguntando onde está o George Clooney que ela sabe merecer, e, por deus, cadê aquele Johnny Depp se encaixaria perfeitamente entre seus peitos perfeitos?
Para as carniceiras de festa não há tempo para lamúrias. Elas não têm o direito de sentir pena de si mesmas. Nasceram prontas para combate, como guerreiros espartanos. Sabem que por mais que caprichem na produção jamais serão a primeira opção. São reservas das reservas, mas conscientes que virarão o jogo aos 46 do segundo tempo. Basta esperar. E elas esperam. Como hienas que rondam as carcaças de zebras desprezadas pelos leões, esperam pacientemente o momento de se banquetearem alí e virarem a mesa. De presas, passam a predadoras.
E então assumem a dianteira. A essa hora, o que vier é lucro, pensam ambas as partes. E a festa está ganha. Mais uma caçada bem sucedida. Mais um para engordar a listinha. Mesmo que bem lá no fundo desejem ser como suas doppelgangers, elas não podem reclamar. Porque no fim, sempre se dão bem. E não é isso que todas querem?
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