I'm Winston Wolfe. I solve problems.

sexta-feira, julho 27, 2007

De pipocas e cinema

Os romanos criaram a política do pão e circo. E Edson Moura conseguiu a proeza de aprimorá-la. Como pão é blasé demais e o circo está pela hora da morte, o prefeito de Paulínia resolveu instituir a política da pipoca e cinema. A prova é a 2ª Mostra Paulínia Magia do Cinema, que termina neste final de semana e trouxe tudo o que há de mais irrelevante do que toca a Sétima Arte.

Mas a idéia de usar o cinema como plataforma populista travestida de boa intenção não é nova. O crédito, até onde sei, pode ser dado para o Secretário de Cultura de Americana, Fernando Giulinani, com seu inacreditável Cine Teatro. Claro que as comparações param por aqui. Como tudo que leva a mão de EM, a Mostra de Paulínia ostentou números inversamente proporcionais a sua alegada importância. É aí que as coisas se complicam.

Porque ao contrário de Americana, cuja secretaria não possui ninguém que entenda minimamente de cinema (ou de cultura mesmo, dependendo do ponto de vista...), o festival de Paulínia contou com a consultoria de Rubens Ewald Filho, o mais midiático crítico de cinema do País. Mesmo quem não sabe a diferença entre uma trufa e Truffaut tem ele como referência. Então o que explica a exibição pura e simples de blockbusters hollywoodianos entremeados por um ou outro filme nacional de qualidade/gosto/importância duvidoso?

Segundo o próprio REF, é preciso primeiro criar o hábito de ir ao cinema. Para isso, filmes populares são o caminho mais seguro – se não o único. Depois de acostumada, acredita o "especialista", a população estará apta a apreciar obras mais importantes. O que ele não leva em conta é que ninguém desenvolve bom gosto por hábito, mas sim com educação. Boa educação, diga-se de passagem, coisa que envolve berço, ensino formal e círculo social diferente de onde vive a imensa maioria dos paulinenses. Não adiante entupir de mortadela um sujeito que passou a pão e água a vida toda e esperar que em seguida ele aprecie lagosta com caviar.

Se o que se quer é "ensinar" a população a ir ao cinema, que tal começar por construir uma sala na cidade? Ninguém notou ainda que o município que abriga esse elefante branco não tem uma mísera sala de projeção? Ironia das ironias, Paulínia se pretende a Hollywood brasileira, mas precisa dos vizinhos quando quer ir ao cinema. Coisas de EM, enfim...

A própria abertura da mostra evidenciou o caráter popularesco da idéia de Moura. O mestre de cerimônias foi o ator Reynaldo Giannecchini, que nada tem a ver com cinema. Depois, exibição do longa "Antonia" e show com as garotas do filme (sem Negra Li, sua principal estrela). Depois, Paulo Betti e Lázaro Ramos deram as caras por lá para falar de seus respectivos "Ed Mort" (de 1997!) e "Cafundó" (2005!). Se a razão de ser da presença dessa turma não foi a de juntar o maior número possível de pessoas no Parque Brasil 500, então não sei qual é.

Porque, em suma, o que EM quis foi isso. Lotar o evento de qualquer jeito. E como bom animador de platéia que é, soube bem como fazer. Mesmo que a Secretaria de Cultura não forneça dados precisos sobre a quantidade de gente que passou pelo festival, é fácil perceber que poucos estavam de fatos interessados em cinema. Foram para comer pipoca de graça, curtir o movimento e, com sorte, tirar foto com algum ator da Globo. Nada de errado. Num evento sobre cinema onde o verdadeiro cinema ficou em segundo plano, não se podia esperar nada mais.
Ãpideiti: neste final de semana rola também a inauguração do shopping de Paulínia. Nele, estão previstas três salas de cinema digitais - que só serão abertas em 2008. Para quem não sabe, ano que vem é ano de eleição...

domingo, julho 15, 2007

Noção de nada




    As Lojas Americanas, como toda loja popular de departamentos, tem uma porta grande, com um televisor tipo de plasma com aparelho de som possante conectado a ele dando as boas vindas. Nele, está sempre passando um grande lançamento em DVD que a loja quer empurrar a todo custo para os passantes. Sexta-feira era a vez de "Eragon". De um lado da TV de plasma que exibia trechos do filme havia um display de papelão com dezenas de exemplares. Do outro lado, outro display de papelão com dezenas de cópias de "Last Days".








    Sacaram? "Last Days", de Gus Van Sant, cult sobre a morte de um jovem astro do rock livremente inspirado em Kurt Cobain. Com Asia Argento. Indicado para a Palma de Ouro de Cannes em 2005. Se passou em uma sala obscura de cinema de arte paulistana foi muito. Jamais encontrei para alugar ou baixar. Agora, segura uma TV de plasma nas Lojas Americanas do Tivoli Shopping de Santa Bárbara d´Oeste, onde o nível intelectual da imensa maioria dos seus freqüentadores ainda não saiu do "Rei Leão".



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    Por estúpidos R$ 39,90. Não vai vender nada. Então quando baixar, eu compro.

    quarta-feira, julho 04, 2007

    Talvez



      Talvez um dia façamos música como se faz pastel na feira. E a consumiremos da mesma forma, com uma fome desleixada e nada mais. Um tira-gosto, lanchinho para enganar o estômago até a refeição principal, uma massa frita em óleo vagabundo com recheio duvidoso de sabor mais duvido ainda. Engolindo nacos do tamanho da nossa ansiedade, sentindo entre os dentes apenas a satisfação do dever cumprido, devoraremos as canções eleitas dentre as mais pedidas na linha de produção de críticos, produtores, DJ e engravatados tão preocupados, entendidos e sinceros com o que entregam quanto o pasteleiro no final da feira. É, talvez um dia colocaremos o dinheiro na frente de qualquer coisa e não sentiremos culpa alguma por isso. Quem sabe em porções de unidades pequenas recheadas apenas com lembranças do que deveria ter ali, embalado por uma casca bem cuidada. Então acharemos tudo muito bom e daremos graças por ser ainda tão barato e honesto se entupir de alguma coisa em pouco tempo sem precisar sequer sentar para tanto, pois logo caminharmos de volta ao que de fato importa sem pensar no que agora já é uma grande massa irreconhecível em algum lugar da parte de dentro a espera do descarte inevitável.

      Pode ser que, quando menos esperarmos, encararemos o cinema como um adolescente imberbe trabalha sua sede de viver. Qualquer nota, pegando logo pela embalagem mais bonita, o formato mais prático, o método mais rápido ou o preço mais atraente. É, talvez um dia colocaremos o dinheiro na frente de qualquer coisa e não sentiremos culpa alguma por isso. Influenciados por um universo de sentimentos e sentidos que embotam o raciocínio e nos reduzem a meros devoradores de metáforas e estímulos pré-fabricados exatamente com esse intento. Ao invés de consultarmos nossa memória afetiva e objetiva, cataremos o primeiro cardápio de indicações fáceis que estiver em um caderno se cultura qualquer e debruçaremos nossos olhos lustrosos embebidos em néon sobre a seqüência de cores e movimentos mais próxima. E o lugar do criador e sua criatura será para sempre relegado a um passado que ninguém vai ter força ou interesse para procurar, dentro de um buraco ao mesmo tempo raso e inacessível em seu propósito. E engoliremos a seco e sem olhar o rótulo qualquer conteúdo que nos oferecem vendendo como a mais milagrosa fórmula certa de prazer imediato, direto e direito.


      E quem sabe, não sei, pode ser que ler torne-se uma aventura tão impossivelmente distante que os poucos a seguirem sua trilha logo serão chamados de lunáticos, distópicos, distorcidos, desconexos, anormais, e até hereges. Os livros novamente serão condenados a alimentar fogueiras mais altas e brilhantes que aquelas de outrora, mas sem que ninguém registre o feito em qualquer tipo de linha maior que o entusiasmo por absorver seus ímpetos de destruição e sede por mudanças mal ou nada planejadas. É, talvez um dia colocaremos o dinheiro na frente de qualquer coisa e não sentiremos culpa alguma por isso. E tudo reduziremos a meia dúzia de capas duras com lombadas bonitas e trabalhadas para serem belas paredes em bibliotecas sem utilidade, aguardando o momento que uma nova ordem restabeleça seu lugar no imaginário que ajudaram a criar desde que nos colocamos de mãos postas para nossa própria história. Palavras jogadas sem sentido como rimas de paixão colegiais construídas com propósitos baseados em sinapses encharcadas de hormônios e sem nenhum tipo de compromisso ou singeleza tão caras para o que deveriam de fato. Encontros casuais de vogais e consoantes pintadas entre lacunas de pedantismo que oscilarão entre o descaramento puro e simples e a inocência mais perversa.


      Porra, talvez chegaremos mesmo, um dia, quem sabe, a amar como se amam os bichos de pelúcias esquecidos dentro de caixas guardadas em porões e sótãos, quando não feitos de mordedor para cães e aparador de unhas para gatos. Nutriremos então um afeto asséptico de chão de hospital, feito de interesses mútuos, desprovidos de sangue, suor e sacanagem. Uma reciprocidade correta, perfeitamente equilibrada, sem erros, sem riscos, livre daquilo que a faz ser o grande impulso criador e transformador que a tornou tão importante e perseguida de camponeses a reis, entre eras e impérios, dentro de carros de vidros embaçados e salas de estar vitorianas. Nada além de contratos com firma reconhecida e carimbos carcomidos pela hipocrisia da necessidade de uma segurança tão tola quanto frágil, apenas fabricada dentro da cabeça de quem não entendeu que o grande sentido de tudo é exatamente não ter onde se apoiar e dar o primeiro passo sem olhar se há chão ou apenas um grande vácuo. Uma lasca de afeição destinada apenas a manter a espécie dominando o planeta e nada mais de poesia, dançar pelado ao redor de fogos fátuos ou grandes goles de pauduro e juras de amor tão inalcançáveis que seria precisa um tipo de Magirus infinita para alcançar seu topo entre as nuvens de nossa consciência imersa em qualquer substrato que não aquele formado entre as artérias devastadas pela falta de amor próprio e excesso de entrega a qualquer próximo que se apresente logo em seguida do seguinte.



      Mas enquanto isso não acontece, vou me deitar aqui confortavelmente nesse musgo gostoso que cresce à sombra de uma mangueira centenária e descansar meus ouvidos, alimentar meus olhos e fazer tudo o que minha nudez literal e metafórica permite. Alguém me acompanha?

        segunda-feira, julho 02, 2007

        Meme


          Fiz uma meme. Há uma explicação bem estilosa sobre o que é uma meme, mas pra mim é como aquelas correntes de perguntas e respostas de e-mails. Só que em blogs.
          Esta é sobre discos e bandas. Gostaria que os trutas Léo, Pedrão, Bia, Shiraga e NNX também entrassem nessa.
          Segue:

          • Disco que você ouve inteiro
          Nacional - Los Hermanos (Los Hermanos)
          Internacional - It´s Alive (Ramones)

          • Disco que só tem uma faixa que presta
          Nacional - Nostalgia da Modernidade (Lobão)
          Internacional - The Idiot (Iggy Pop)

          • Disco horrível de uma banda excelente
          Nacional - O A e o Z (Mutantes)
          Internacional - In Through the Door (Led Zeppelin)

          • Banda que você ainda vai ter todos os discos
          Nacional - Mutantes
          Internacional - Rolling Stones

          • Banda que você tem todos os discos
          Nacional - Legião Urbana
          Internacional - Placebo

          • Disco que você se arrependeu de comprar
          Nacional - "Djavan Ao Vivo" (Djavan)
          Internacional - "Undercover" (Rolling Stones)

        quarta-feira, junho 27, 2007

        Sad sad sad



          Trilha sonora dos créditos finais de "O Homem Duplo".


          Trilha sonora presente em "The Eraser", primeiro solo de Thom Yorke.


          Trilha sonora para pegar a rodovia mais perfeita que existe, abrir uma long neck suada e rodar até o combustível acabar.


          What will grow quickly, that you can't make straight

          It's the price you gotta pay

          Do yourself a favour and pack you bags

          Buy a ticket and get on the train

          Buy a ticket and get on the train


          Cause this is fucked up, fucked up

          Cause this is fucked up, fucked up


          People get crushed like biscuit crumbs

          And laid down in the bed you made

          You have tried your best to please everyone

          But it just isn't happening

          No, it just isn't happening


          And it's fucked up, fucked up

          And this is fucked up, fucked up


          This your blind spot, blind spot

          It should be obvious, but it's not.

          But it isn't, but it isn't


          You cannot kickstart a dead horse

          You just crush yourself and walk away

          I don't care what the future holds

          Cause I'm right here and

          I'm today

          With your fingers you can touch me


          I'm your black swan, black swan

          But I made it to the top, made it to the top


          This is fucked up, fucked up

          You are fucked up, fucked up

          This is fucked up, fucked up


          Be your black swan, black swan

          I'm for spare parts, broken up


            Docinho


              Tem gente que faz música ruim. Mas essa música só se perpetua porque tem gente que ouve. Ora, isso é lógico, Biduzão, todo mundo sabe. Assim como todo mundo gosta de alguma música ruim.
              Então, para facilitar, o Framboesa organizou tudo num lugar só. O blog - cujo nomer é uma referência óbvia ao Framboesa de Ouro, Oscar dos filmes ruins - é novinho, novinho, mas promete ser lega. E, claro, aceita colaborações. Dá uma espiada lá. Eu já baixei o Michael Jackson sem a menor vergonha...

            segunda-feira, junho 25, 2007

            De cinemas e sacis


              Está se tornando folclórica a capacidade da Secretaria de Cultura e Turismo de Americana em ser cega, surda e muda no que toca a suas responsabilidades. Desde março, a pasta exibe filmes no Teatro Municipal Lulu Benencase, local que já foi - olha só que sacação - um cinema de rua. Mas a quantidade de absurdos que essa idéia contêm só rivaliza com um filme do David Lynch e precisaria de um blog todo para se fazer entender. Então vamos mastigar bem (o que não vai ser garantia alguma de digestão fácil...) para nos fazermos entender nessas poucas linhas.

              De acordo com o último informativo da secretaria, a proposta do Cine Teatro é intercalar filmes comerciais com convidados. E e só isso que se sabe, já que desde o ínicio da semana a coluna tenta mais esclarecimentos sobre o assunto e parece não haver um cristão lá dentro capaz de responder um simples e-mail. E olha que minhas dúvidas - que acredito serem compartilhadas por mais gente - são simples, nada que fará o nobre chefe da pasta, Fernando Giuliani, perder o último capítulo da novela das 18h.

              Primeiro, quero saber quem é o responsável pela escolha dos filmes exibidos. Não quero acreditar que seja o próprio secretário, já que a obra de estréia do projeto foi "Harry Potter a Pedra Filosofal", um blockbuster hollywoodiano de 2001 que por si só contraria a função primordial da pasta, que é a de levar cultura de qualidade para a população. Não sei qual a freqüência que o secretário vai ao cinema, mas se ele considera Harry Potter um produto que acrescenta alguma coisa, começo a me preocupar de verdade com o andar dessa carruagem cada vez mais desgovernada.

              Mas se não é o próprio Giuliani, quem decide que filmes serão mostrados? Talvez o dono da videolocadora que a secretaria firmou parceria? Ou quem sabe o guardinha que anota recados no balcão da recepção? Não, esse último teria mais bom senso do que o sujeito que escalou, por exemplo, "Star Wars - A Ameaça Fantasma", para a última sessão do projeto, nesta terça feira.
              Bom, mas o projeto, segundo a única informação que possuo, também prevê filmes "convidados". E quais são eles? Silêncio. Quantas pessoas já foram assistir aos filmes? Mais silêncio. Havia uma meta de público? Os grilos fazem cri-cri. Qual é, por Deus, o objetivo desse desperdício de esforço, tempo e dinheiro públicos? Os sapos coacham. Alguém aí pode me dizer então qual o diabo do critério utilizado para exibir produções unicamente comerciais e sem qualquer fim senão o de divertir por um par de horas?

              Porque parece, cada vez mais, ser essa a função da Secretaria de Cultura de Americana, que pode tranqüilamente mudar seu nome para Secretaria de Entretenimento Besta e Apático. Existem dezenas de maneiras certas - e uma única errada - de aproveitar o cinema de maneira inteligente e criativa levar um mínimo de cultura à população. E a prefeitura tem a capacidade de escolher a errada. Eita, nóis.
              UPDATE
              A secretaria escolheu o filme desta semana: "Star Wars - A Guerra dos Clones". É ou não é pra pedir guilhotina?

            quinta-feira, junho 21, 2007

            Os Canhões de Navarone (apenas para rimar com Brancoleone)


              Albano Martins Ribeiro não precisa abrir a boca para você logo sacar que ele é paulistano. Daqueles que te explica onde fica uma pizzaria usando como pontos de referências o MASP, estádios de futebol, clubes sociais, entidades filantrópicas e estações de metrô. O que para mim, morador de típica cidade do interior que localiza tudo o que quer usando uma única avenida, soa engraçado. E estranhamente fascinante, do tipo "caralho, eu queria morar em São Paulo apenas para saber que a fulana mora num apartamento há duas quadras da estação da Sé", ou "Tô passando pelo Memorial da América Latina agora, encontro vocês em uma hora". High Five!, diria Borat.
              Mas não estou aqui para zoar o Branco Leone, ou Brancoleone, alcunha usada pelo Albano Martins Ribeiro em sua abnegada cruzada virtual. Sim, porque Branco é um abnegado, quase um jesuíta da Companhia de Jesus, diria, doido pra meter o crucifixo na bunda dos selvagens e amelhá-los para seus intentos. E é mais ou menos o que ele faz com uma das mais bem organizadas e conceituadas editoras virtuais , a Os Vira Lata.
              Nela, pode-se encontrar o novo crime do Bia e, em breve, o próximo atentado do Alex. Além do próprio livro do Branco - que por sinal recomendo com força a todos que não têm problema de bixiga solta quanto em ataque de risos causados por situações de extrema urbanidade paulistana, e por isso mesmo, universal.

              E, pô, ele é casado com uma sobrinha do Jorge Amado!

            Todos os olhos


              Ela deixou colocar em todos os buracos e perguntou se não era isso que eu queria. Ah, meu bem, eu quero tudo.

            terça-feira, junho 19, 2007

            Mais Bia


              Depois do mestre Bia(jone), a trutíssima e repórter do coração Bia(triz) estréia na blogosfera - e ainda como vizinha, aqui no Condomínio Blogspot. Com o singelo nome de Sapatilha Elétrica, ela promete... nada. É, ela ainda não prometeu nada. Nem disse a que veio. Na verdade, só colocou um post inaugural profético. Como de costume, tenha certeza que ela não vai decepcionar. Abaixo, ela em momento de descontração.

                Corrigindo injustiças


                  Por obra do acaso, travei contato, há coisa de meses, com o Gabriel, dono do parnasiano Labirinto do Não. É culpa dele a maior parte desta lista de links aí ao lado para os blogs mais quentes feitos para fazer a alegria de quem gosta de música e não deixar um rim na Fnac. E eu, péssimo ser humano que sou, não dei o devido crédito. Então, agora, corrigo a falha. E passo o link para o espertíssimo sítio do rapaz. Saravá!

                domingo, junho 10, 2007

                De festa de peão e leis que não funcionam ou dois pesos e duas medidas





                  Americana, como qualquer outra cidade de interior, sofre com um problema histórico crônico. A falta de opções de entretenimento noturno para quem tem menos de 50 anos. Ou, mais precisamente, para quem gosta de diversão com alguns decibéis acima do permitido. E permissão é o mínimo necessário para fazer acontecer o que se pretende. Muito difícil? Vamos simplificar então: a cidade não tem um filhodaputa de um lugar para se ouvir música ao vivo depois que sol se põe – ou antes até, sejamos francos.

                  A cidade é governada pelo prefeito Erich Hetzl Júnior (PDT), sujeito de pulso fraco e que ergue a voz apenas contra profissionais de mídia que estão alí par fazer o que são pagos para fazer – confesso que votei nele e, se pudesse, pediria meu voto de volta de tanto arrependimento. Mas a culpa não é exclusiva dele. Há coisa de uma década Americana não possui vida noturna no que toca a música ao vivo. Descartamos aí os barzinhos que cedem um canto para crooners de Djavan e Milton Nascimento, com seu violõezinhos e vozes em falsete que não fazem mal a ninguém. Estou me referindo à música movida a baixo, guitarra e bateria. Estou me dirigindo a quem não tem pena dos tímpanos e é ligado no 220, que curte um bom rock´n´roll e congêneres e sabe que estes não podem ser apreciados se o volume estiver abaixo do 10.

                  Mas em Americana isso não existe. É proibido. De bares a festas, nada pode incomodar a vizinhança, que tem o direito de descansar em silêncio total e absoluto. E não adianta vedar as saídas de som, porque as reclamações recairão sobre o movimento que se forma ao redor do lugar – carros congestionando o trânsito, molecada falando alto, sujeira formada por garrafas, latas e copos descartados nas sarjetas pelos freqüentadores. Tudo, enfim, feito para impossibilitar ao máximo a construção de uma cena noturna na cidade.

                  Em cinco anos, pelo menos três bares baixaram suas portas e uma dezena de festas foram impedidas de acontecer por força da prefeitura, que não hesita em dificultar ou não fornecer alvarás de funcionamento ou mesmo fechar estabelecimentos na primeira reclamação. A vizinhança, claro, tem o direito de descansar em silêncio total e absoluto. Entretanto, a coisa muda de figura uma vez por ano, quando acontece a Festa do Peão Boiadeiro de Americana. Então, tudo é permitido. Para o CCA (Clube dos Cavaleiros de Americana), organizador do evento, nada é negado. Pelo contrário.



                  O recinto onde acontece a festa fica do outro lado da cidade. Numa região esquecida pelo poder público, abandonada à própria sorte desde sua criação, mas que recebe a atenção da municipalidade quando é tempo de rodeio. Afinal, gente de todo o Estado passa por lá e a última coisa que se quer são turistas com má impressão do governo municipal. Neste ano, por exemplo, as ruas que dão acesso à festa foram pavimentadas - numa região onde asfalto é uma realidade muito distante, é preciso agradecer ao CCA, não?

                  Nas noites de festa, a Rodovia Anhangüera e suas vias de acesso ficam intransitáveis. Os congestionamentos nababescos se estendem por quilômetros, obrigando o incauto motorista, que está apenas de passagem pelo trecho, a esperar quantas horas forem necessárias, porque nada pode ser feito. Os acostamentos deixam de existir, tomados de vendedores e carros de gente que se cansou de esperar e resolveu ir a pé.

                  A polícia? Ah, sim, a polícia em peso está dentro do recinto da festa para garantir a segurança dos freqüentadores. E quem está garantindo a minha segurança fora dali? Claro que a corporação afirma não haver problemas, pois o número dos que ficaram na cidade é suficiente. Nesse caso, podem demitir os outros, já que não fazem falta, correto? E por que a polícia, que é um órgão público, está fazendo a segurança de um evento particular? A festa que se vire com sua própria segurança. Eu, como contribuinte, não tenho que pagar por isso através da polícia que ajudo a sustentar com meus impostos.

                  Entre uma semana e outra de festa há o desfile dos cavaleiros. Dezenas de cavaleiros pegam seu, hã, cavalos e saem às ruas para mostras seus... cavalos. Se a população se incomoda tanto com a sujeira que é feita nos arredores dos bares de música ao vivo, certamente não deve gostar de sentir o cheiro de estrume fresco que paira no ar da cidade durante e depois do cortejo.


                  O recinto, por sinal, é aberto e distante quilômetros do centro da cidade. Entretanto, é possível ouvir perfeitamente todo os shows musicais que acontecem toda as noites, normalmente após às 22h. Onde está, pergunto eu, a lei do silêncio que faz fechar bares de música ao vivo ou impedir que festas aconteçam? Dois pesos, duas medidas, é isso? Ou será que ninguém reclama?

                  É claro que reclama. Basta um pouco de bom senso e conhecimento histórico. As primeiras festas de peão de Americana aconteciam no Centro da cidade. Foi preciso um prefeito de pulso – o finado Waldemar Tebaldi, de quem Erich herdou a cidade após sua morte (e só a cidade, não o pulso) – para peitar o CCA e os mandar para qualquer outro lugar. Agora, mesmo distante do Centro da cidade, mas ainda assim no meio de um bairro residencial, a festa continua a causar os mesmos problemas que fecham os bares de música ao vivo. Ou será que quem mora na periferia da periferia não tem o direito de descansar em silêncio total e absoluto? Até nisso seus moradores são excluídos?

                  Não sou contra a Festa do Peão de Americana ou seus freqüentadores, nem tenho nada contra seus organizadores. Mas é preciso justiça. Pau que bate em Chico, bate em Francisco, diria meu irmão. Ou estou errado?

                sábado, junho 09, 2007

                Personalidade

                Estilo é tudo para um artista. E um estilo próprio deriva de uma personalidade definida, marcante, honesta e, logo, única. Na música pop poucos conseguem se equilibrar na linha que separa a personalidade da mediocridade. Uma banda pode mudar seu som de um disco para o outro sem parecer forçado; ou pode fazer sempre a mesma coisa e soar sempre diferente e genial. Dois lançamentos ilustram bem a questão. Era Vulgaris, do Queens of the Stone Age e Minutes to Midnight, do Linkin Park, lideram há algum tempo as listas de downloads. Então baixe, ouça e depois volte.

                O QOTSA pertence ao seleto rol de bandas que bastam poucos acordes para serem reconhecidas. Liderado por Josh Homme - único membro fixo em todas as formações - o grupo segue firme como um legítimo representante do rock de macho, daqueles feito para se ouvir no volume máximo e incomodar toda a vizinhança. Não é para ouvidos sensíveis, não é para tocar no rádio ou na novela, mas serve bem como trilha sonora para competições de demolicar.
                Assim como seus antecessores, Era Vulgaris é facilmente reconhecível. Porque tem, acima de tudo, personalidade. E estilo. Se mantêm coerente do começo ao fim, levando o ouvinte mais experiente a concluir que, sim, ele lembra os outros três discos do QOTSA. Sua canções poderiam, sim, estar inclusas nos outros. Poderiam, mas Homme sabe o que faz. Era Vulgaris é mais uma etapa da cruzada do músico em injetar um pouco de barulho decente no cenário pop. E o faz sem exageros, com classe, na medida certa.

                O oposto ocorre com o Linkin Park. Minutes to Midnight não tem um terço da força e originalidade que o disco de estréia da banda, Hybrid Theory, carregava e ajudou a popularizar o grupo fazendo do nu-metal um máquina de ganhar dinheiro. Agora, o LP soa... emo. Seu peso é tão falso quanto o de um Fall Out Boy, e as letras lamuriosas ficariam perfeitas no último do Good Charlotte ou mesmo do Evanescence. A pegada rap, exaustivamente copiada por um sem número de outros garotos, não segura mais a onda - pelo contrário, mostra-se monótona e previsível.
                É aí que o LP peca, ao abandonar um estilo que criou - e que era legal - em razão da grana. Se tivesse ousado e ido por um caminho oposto, até renegando seu estilo, manteria pelo menos sua personalidade. Apenas “Bleed it Out”, com seus meros 2 minutos, salva Minutes to Midnight do marasmo. Muito pouco para quem foi referência para boa parte da produção mainstream dos anos 00.

                Claro que Era Vulgaris vai vender bem menos que Minutes to Midnight. Estamos falando de dois produtos com propostas diferente para públicos diferentes. Mas se você puder escolher, fique com quem tem mais estilo e personalidade e queime um disquinho com o primeiro.





                  quarta-feira, junho 06, 2007

                  Cine pop

                  A cultura pop e tudo o que a envolve possui duas características essenciais. A primeira, é a valorização da imagem, da plástica, daquilo que envolve as coisas - sejam elas para os olhos, ouvidos ou mãos. A segunda é o curto prazo de validade e conseqüente descartabilidade dos seus produtos. No cinema, o exemplo mais bem acabado de obra pop acaba de chegar as locadoras após passagem tímida e relâmpago pelas salas brasileiras. "O Homem Duplo", de Richard Linklater, com Keanu Reeves, Robert Downey Jr., Winona Ryder e Woody Harrelson, é a mais perfeita tradução para o termo.

                  O filme passou pela Mostra São Paulo de Cinema em outubro do ano passado - depois, se não me falha a memória, deve ter ficado mísera semana numa única sala de shoppings centers. Talvez pelo fato da obra lidar com elementos considerados inteligentes ou ousados demais para o grande público, passou despercebida e chega agora em DVD. Baseado no romance "A Scanner Darkly", de Philip K. Dick (o mesmo de "Minority Report", "Blade Runner" e "O Vingador do Futuro", apenas para ficar nas adaptações para o cinema), o filme se ergue no tripé drogas-paranóia-autoritarismo com certo exercício de futurologia presente na maioria dos livros do autor.


                  Mas quem se importa de fato com o roteiro ou o desenrolar das história quando o que se vê é um espetáculo de imagens geradas com tecnologia de ponta? "O Homem Duplo" segue a mesma linha de "Sin City" e "300", verdadeiros deleites visuais que deixam a história para segundo plano. A técnica utilizada é a chamada de rotoscopia, que é conseguida através da captação da imagem dos atores reais que depois recebem tratamento de animação tipo aquarela. Não há nada de errado nisso, cinema não é feito só de grandes moendas de cérebros. E em se tratando de uma obra indubtavelmente pop, não se pode esperar nada além.


                  Não que a história do agente da polícia que é escalado para vigiar a si mesmo seja rasa. Pelo contrário, ainda mais se considerado o contexto que foi escrita - na década de 70, quando Dick compôs o livro, os EUA estavam sobre a sombra de Nixon e sua cruzada santa contra as drogas, alimentado pelo clima da paranóia da deleção do "seu vizinho pode ser um perigoso traficante que vai viciar seu filhos". Substitua as drogas pelo terrorismo de Bush e o painel será o mesmo. Porém, nada que já não tenha sido feito, o que se não tira o pioneirismo de Dick, o coloca no mesmo balaio para os menos informados - e como estamos falando de cinema e cultura pop, a coisa é inevitável.


                  Apesar do desfecho interessante e algo no future, o filme especialmente por sequências de diálogos inúteis. Entenda, não são diálogos psicóticos - estes existem e cabem à trama - mas conversas que saem do nada e chegam a lugar algum, servindo apenas para prolongar a trama ou causarem um leve riso de canto de boca. Talvez se suprimidas, poupariam as quase 350 horas que cada minuto de filme levou para ser animado.


                  Por isso, "O Homem Duplo" pode ser uma das maiores viagens visuais da sua vida, uma experiência sem igual, mas que não acrescenta nada como obra cinematográfica de fato. Daria um belo videoclipe.




                    terça-feira, maio 29, 2007

                    Coisinhas

                      • A Fergie cantando o clássico do Heart "Barracuda", na trilha sonora do "Shrek Terceiro", é cópia melhorada e muito mais interessante do vocalista do Rush, Geddy Lee. Baixem, ouçam e curtam.
                      • O Ina tá na Rolling Stone deste mês, com direito a abre de página sobre o DVD do Pato Fu. Se tudo der certo, ele vira editor-chefe e me chama pra escrever lá.
                      • Livro novo do Bia em breve na parada. De partir o coração-melão do mais bruto dos sertanejos. Prova que a paternidade faz um bem danado.
                      • O fiadaputa do Galvão cometeu novamente um post que me valeu uma repreensão de toda a redação tamanho o ataque de risos que tive.
                      • Não conheço nada que me deixe tão de pau duro quanto "No Pussy Blues", do Grinderman. Cave parou de chorar e fez a música mais tesuda do mundo. Para ouvir a dois e bêbado(s).

                    sexta-feira, maio 25, 2007

                    Pensamento de chuveiro


                      Quando apresentou-se nua e crua,
                      ninguém reclamou a verdade

                    quinta-feira, maio 24, 2007

                    Fase



                      A vida de uma boa banda passa por fases. Algumas boas - normalmente o início - outras ruins - do meio para o fim. Para fãs, admiradores ou mesmo aqueles que se dispõe a olhá-las como algo além da simples expressão de egos inflamados, é comum ter suas preferências. E dentro de uma preferência por uma fase, é normal que se admire mais uma ou outra canção em detrimento de outras do mesmo balaio. Comigo é assim com os Rolling Stones.

                      "Wild Horses" é considerada a balada mor dos Rolling Stones. Difícil encontrar quem não a tenha entre as 10 mais para embalar fossas ou rodar a esmo pela cidade remoendo alguma dorzinha-de-cotovelo. Ela faz parte de Sticky Fingers (1971), o segundo de uma quadrilogia de discos em tudo perfeitos - e não sou só eu que acho. É trilha sonora de grandes filmes, como "Adaptação", e idiotices legais, como "Ligado em Você". De tão emblemática, ganhou um novo videoclipe, desses classudos em preto-e-branco e tal. De tão legal, um monte de gente fez suas próprias versões, e até em propaganda de enlatado foi usada.

                      Mas eu simplesmente não consigo gostar dela.

                      Nada pessoal. Ou melhor, tudo pessoal. Ouço Mick Jagger cantando que "cavalos selvagens não conseguiriam me tirar daqui" e penso "porra, sempre morei na cidade. O que diabos cavalos têm a ver comigo?". É isso que sinto. Quer dizer, não sinto. Não sinto nada. Balanço a cabeça concordando com o ritmo, apenas esperando pela próxima faixa. Nunca cravei um repeat nela como costumo fazer com aquilo que de fato me cala fundo.

                      E isso às vezes me incomoda. Se gosto dos Stones, em especial a parte que importa - e nela "Wild Horses" está invariavelmente inclusa - não deveria apreciar a referida balada também? O dedilhar de violões de Richards me remete a uma paisagem campestre e árida, da qual compartilho apenas a segunda parte. O que Jagger canta pra mim não faz o menor sentido. Não extraio dalí nenhum tipo de sentimento, nenhum recordação, nenhuma metáfora, nada.

                      Se uma boa canção precisa pelo menos te fazer parar o que está fazendo para ouví-la com mais cuidado, definitivamente não é o caso de "Wild Horses". Para mim, "Out of Tears", do irregular Voodoo Lounge (1994), é que tem esse poder. O simples ouvir do piano inicial me traz uma enxurrada de recordações, arrepia os pêlos do antebraço e me faz querer cantar junto e dedilhar um air guitar.

                      Só que "Out of Tears" faz parte de uma outra fase stoniana. Diferente de "Wild Horses", que marca o ápice criativo e revolucionário dos Stones, minha balada preferida remete ao tempo em que Jagger e cia. se transformaram numa empresa bem consolidada dentro do showbusiness disposta a tudo para faturar qualquer trocado. Logo, é decente e recomendável gostar de "Wild Horses", citá-la como preferida dentro do seu gênero, saber tirá-la numa roda de camaradas ou mesmo saber cantar seu refrão. Já "Tears" pertence ao rol de canções que se prefere esquecer não por serem ruins, mas por lembrarem de um tempo onde seus autores perderam o respeito por si mesmos. Logo, pega mal gostar dela ou até mesmo dizer que, ah, tem uma levada bonita.

                      É estranho concluir isso. Por admirar demais determinada fase de uma banda - até com certa razão - acaba-se por abrir mão de gostar do que ela faz depois disso. Rotula-se a música que esse grupo faz entre antes e depois. "Ah, agora eles são uma farsa. Antes, sim, era bom", destacam. Claro, não dá pra comparar Beggar´s Banquet com Dirty Work. Mas mesmo dentro do segundo, que é estupidamente inferior em todos os sentidos ao primeiro, existem bons momentos. Momentos que acabam sendo desconsiderados pelo todo que a obra representa dentro de uma lógica que divide uma discografia em fases.

                      Apreciar um grupo por fases é uma maneira de se manter acomodado e limitar o gozo do que realmente importa, no caso, a música. Esteja ela num clássico revolucionário sessentista ou numa peça feita para faturar com anúncios de carro.


                        quarta-feira, maio 23, 2007

                        Vestibular na catraca


                          Você é estudante? E tem a famigerada carteirinha que comprova sua situação? Se sim, é certo que costuma fazer uso dela para pagar meia-entrada onde quer que vá. E, claro, você adora isso - e quem não gosta de economizar uns trocados para a pipoca e o refrigerante enquanto assiste a "Duro de Matar" ou "Rambo"? Pois é, mas a mamata está para acabar.

                          Quem acompanha os cadernos de cultura deve saber que começou um movimento de empresas de entretenimento - especialmente salas de cinema - para endurecer a aprovação do benefício da meia-entrada. Segundo eles, há muito marmanjo picareta que forja carteirinha para aproveitar o desconto. Por isso, são obrigados a aumentar o preço dos bilhetes inteiros - o mesmo vale para shows, teatros, festas de peão, e congêneres.

                          Os que se dizem prejudicados defendem regras mais rígidas para dar meia-entrada. Desde apresentar boleto pago da última mensalidade até um boletim cheio de 10 mostrando que o sujeito é sim, um bom aluno e não apenas um turista. Para mim, tudo isso não passa de maldade. Maldade e leviandade, intriga da oposição. Querem dificultar o acesso a cultura dos pobres estudantes, essa grande nação de famélicos por conhecimento. Perseguição, isso sim. Onde já se viu duvidar que uma pessoa seja de fato um esforçado e esfolado acadêmico? Porque se tem uma coisa eu ninguém gosta ou se orgulha é de estudar, vamos ser sinceros. Então qual o motivo de algum mentir que frequenta a escola, e mais, mandar falsificar uma carteirinha que comprova a situação? Custo a acreditar que seja apenas para espoliar a indústria do entretenimento e chancelar a Lei de Gerson.

                          Penso, sim, que eles - se de fato existem - os falsificadores, querem é se sentir inclusos no meio estudantil. É gente que não teve oportunidade de freqüentar os bancos escolares e por isso, através da confecção de uma carteirinha falsa, pode pelo menos sentir o gostinho de se apresentar como estudante. E uma das únicas benesses de estudar é poder pagar menos para ter acesso a cultura, informação e conhecimento. Vai dizer que, além dos supracitados no primeiro parágrafo, filmes como "Homem-Aranha 3" não agregam valor? Ou "Harry Potter"? Ou "Todo Mundo em Pânico"? Tais obras são os que mais atratem estudantes, pode checar - todos sedentos por absorver cada gota dos diálogos inteligentes, do roteiro bem costurado e desafiador, da história original, do embate de idéias que se desenrola na tela, enfim.

                          Os estudantes - esse povo mal entendido e subestimado pelos donos do poder que regem as avassaladoras engrenagens do sistema - querem e merecem ter acesso a alta cultura proporcionada por Hollywood. Suas vidas serão certamente mais vazias se forem impedidos de saborear esse manjar de altruísmo e bem-aventurança que são os blockbusters feitos em Los Angeles. Oh, sim, não há dúvida.

                          Por isso, vida longa à carteirinha. Que cada vez mais gente tenha acesso a esse bem que, além de permitir o afortunamento cultural das massas que regerão nosso país no futuro, são também grandes instrumentos de inclusão social. Quanto ao dinheiro economizado, é certo que terá um destino tão nobre quando são as intenções dos conspícuos estudantes - sim, rejeito totalmente a idéia que gastarão seus suados e preciosos reais em atividades mundanas e nada enriquecedoras intelectuais. Porque são estudante, ora. E merecem todo nosso crédito, não?

                        segunda-feira, maio 21, 2007

                        Give my money back


                          Há um tempo atrás, coisa de cinco, seis anos, o único meio de encontrar música pela rede era através de compartilhadores de arquivo. Filhos do Napster, sempre tiveram um grave problema: a dependência de outro usuários. Era necessário - e ainda o é - estar conectado com outra pessoa que permita a você pegar as músicas dela. Pior é a diferença de velocidade de conexão, que aumentava as chances da rede "cair" e a transferência de dados ser interrompida. Não eram raros os CDs queimados faltando uma ou outra canção. Uma merda, enfim.

                          Então esqueça essas problemáticas e se jogue nas solucionáticas aqui ao lado, na nova seção Baixaria. Nela, listo alguns bons blogs para encontrar todo tipo de música. Do andergráundi ao meinstrêim, de novidades a raridades, não tem erro. Aconselho uma ronda diária por cada um. Para quem já é escolado na coisa, nenhum deles será novidade. Para os fiotões, é um bom começo.