I'm Winston Wolfe. I solve problems.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Músicas de quem gosta de liberar o brioco

1 - 53rd & 3rd - Ramones

2 - Cocksucker Blues - Rolling Stones

Ô turminha que gosta de soltar o lhôrdo...

3 - Lament - The Doors (by Nunu)

4 - Cock-suckers Ball - Frank Zappa (by Nunu)

5 - Evil Dildo - Placebo (by Nunu)

Alguém conhece mais alguma?

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Capote


"Capote" é um filme chato.

Não. Não venha me dizer que é legal. Legal é "Guerra nas Estrelas", "Senhor dos Anéis" e "Porky´s". Um filme como "Capote" não pode ser considerado legal. Ele é lento, sua narrativa é arrastada, o clima é tedioso e antes da metade dele é bem capaz que você, assim como o próprio Capote, comece a torcer para que a tortura temine logo e te libere para comer um BigMac.

Acredito, porém, que não tenha jeito de ser diferente. Um filme que fala sobre a produção de um obra tão aclamada e adorada quanto "A Sangue Frio", invariavelmente pisa em ovos. O sujeito cerca-se de tantos cuidados que é inevitável ousar o mínimo possível e fazer um filme para uma audiência bem específica. De preferência, uma que não durma no cinema.

O único mérito de "Capote", como a crítica fez questão de salientar, é o ator Philip Seymour Hoffman . Ele carrega o filme nas costas incorporando o personagem com uma força que eu só havia visto antes no Jim Morrison de Val Kilmer em "Doors". A estatueta, previsivelmente, é dele. O que não justifica o par de horas a que o diretor Bennett Miller submete o espectador.

Claro que as faculdades de jornalismo vão organizar excursões para que os estudantes - que em sua imensa maioria serão modorrentos e incompetentes assessores de imprensa de órgãos públicos - assistam ao filme após lerem o livro. O que será um engano, pois o Capote da tela é milhões de vezes menos interessante que o Capote do livro, mesmo que eu não tenha folheado o dito cujo.

Sua fama o precede, e isso parece bastar. "A Sangue Frio" é um caso típico de obra que quase todo mundo conhece, poucos leram e apenas uma minoria absorveu aquilo que Truman escreveu. Levado às telas, a história da confecção do livro perdeu força e naufragou num mar de tédio. Como diria o Agente Smith: "Inevitável".

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Estupefacientes auditivos

Músicas legais que falam sobre drogas

1 - Heroin - Velvet Underground

2 - Cold Turkey - John Lennon

3 - Sister Morphine - Rolling Stones

4 - Under the Bridge - Red Hot Chili Peppers

5 - Mr. Tambourine Man - Bob Dylan

6 - Cocaine - Eric Clapton

7 - House Of The Rising Sun - The Animals

8 - Purple Haze - Jimi Hendrix

9 - Carbona Not Glue - Ramones

10 - Special K - Placebo

E a lista cresce...

11 - Got to Get You Into My Life - Beatles (by Galvão)

12 - Lithium - Nirvana (by Nunu)

13 - Mr. Brownstone - Guns´n´Roses (by Nunu)

14 - Hurt - Johnny Cash (by Dringola)

Mais alguma?

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Mulher é um bicho estranho, mesmo...

Só porque a garota dançou 15 minutinhos agarrada ao maior astro pop dos últimos 20 anos durante um show para no mínimo 70 mil pessoas e acompanhado por outras estimadas 100 mil em casa, não quer dizer que ela mereça tudo isso.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Mariana – ou o dia em que quis ter sido santo

Na 2ª série, Mariana era uma garota feia. Gorda, cheia de sardas, cabelo mau tratado, roupas apertadas e desbotadas e - pior de tudo - uma inteligência não muito privilegiada. Logo, sem atrativos para meninos e meninas. Mas diferente de eu - que era um garoto magrelo, branquelo e tímido - ela começava a sofrer as típicas pressões sociais que a obrigavam a ser mulher em corpo e mente. Ao contrário dos machos, que nessa idade ainda não possuem sequer pêlos pelo corpo (salvo exceções das quais ninguém queria fazer parte), as fêmeas já se preparam para a puberdade, o que significa transformarem-se em objetos de desejos obscenos daqueles.

Mas não era o caso de Mariana. Enquanto as amigas já possuíam um par de montes pontudos sob a camiseta do uniforme, e os shorts de lycra de educação física começam a apertar as coxas que engrossavam, ela ostentava apenas uma rotunda circunferência sob o agasalho - que não tirava por nada. Eu observava. Observava com pena e certa simpatia. Assim como ela, eu também não era dos mais populares, já que não praticava esportes e gostava de desenhar alienígenas.

E ela sabia de minha paixão pelo desenho. Tanto que no final do ano, por conta de um amigo-secreto, me presenteou com um estojo de hidrocores. "Só podia te dar isso, né? Você não parar de desenhar", disse, sorrindo, solícita, como que pedindo por atenção. Senti vergonha. Apesar de dividirmos o mesmo status social escolar, não queria ser visto conversando com ela, ou mesmo estar perto dela. Queria - assim como todos os outros garotos - dividir minha mesa com a filha da professora que, apesar de ser um poço de antipatia, era um primor de beleza pré-púbere.

Mas o ano acabou. E Mariana saiu da escola.

Eu continuei e cheguei até a 5ª série, ainda magrelo e branquelo, mas já quase sem o tesão pelo desenho e com uma disfluência de fala que começava a se agravar. Ela não. Retornou cheia de curvas bem delineadas. Nem sombra da gordinha estapafúrdia de outrora. Estava uma delícia, era inegável, embora permanecesse com a inteligência bem pouco privilegiada. O que, claro, deixou de ser impecilho, já que pouco importa se seus miolos funcionam quando se tem um belo par de peitos e nádegas firmes e luxuriosas.

E ela as tinha. Diziam as más línguas - inveja, claro - que ela havia comprado tudo aquilo. Spa, lipoaspiração e essas intervenções todas. Pouco importava. Mariana agora dominava a parada. Era dela todos os olhares masculinos de admiração e todos os olhares femininos de raiva.

E ela foi a forra. Beijava os caras mais populares nas excursões. Atraia o desejo até dos marmanjos do Colegia. Ela escolhia e derrubava. Ninguém mais podia com ela.

Nessa época, pensava que, se tivesse sido um pouco mais legal com ela quando ainda ostentava o perfil de uma barrica de chopp, talvez tivesse alguma chance agora, algo como uma recompensa. Mas pensando bem, acho que não. Mariana não queria misericórdia. Queria vingança. Queria esfregar na cara de toda aquela gente que ela também podia ser como eles. E foi isso que se tornou. Em pouco tempo, também estava zuando as novas gordinhas da classe. E eu voltei a desenhar alienígenas.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Não sei porque perco tempo explicando essas coisas

- Mas ele canta com o nariz!

- Ele não canta. Quem canta é cantor, e ele não é um cantor. É um poeta. A voz é o de menos. Se você quer ouvir um cantor, vai ouvir o Fábio Júnior.

- Ah, então porque ele não escreve apenas ao invés de gravar um CD?

- Porque dessa forma a mensagem dele vai atingir mais pessoas.

- Mas é em inglês! Quem não sabe inglês, não tem como saber o que ele tá falando. Mas se ele cantasse direito, tivesse uma voz bonita, isso não iria importar.

- Ele canta em inglês porque nasceu e se criou nos Estados Unidos. Se fosse na Birmânia, faria o mesmo em birmanês. E já falei que quem gosta dele não gosta pela voz, gosta pela poesia das letras, e, se forçar, pelos arranjos das músicas. E conhece um pouco de inglês também.

- Ainda acho que ele canta com o nariz.

- Quer que ele tire o nariz para cantar?

- Ah, besta, você entendeu o que eu quis dizer.

- Infelizmente.

Acho que sou caucasiano demais para isso...

Comentário de Isabelle Biajoni no site do papai, a respeito do show dos Rolling Stones, me fez sentir uma fisgada estranhamente conhecida na porção posterior-lateral do estômago:

"pow... o morrão vai descer todo!"

Sim, ela disse isso. E com conhecimento de causa, posto ser carioca da gema, o que me fez sentir nova e mais forte puxadela, desta vez na boca do dito aparelho digestivo.

Acho que vai dar merda. Alguém tem um antiácido sobrando?

terça-feira, janeiro 24, 2006

Cinema mudo

TV a cabo é o maior embuste da era moderna. Te dá trocentos canais que você não consegue assistir UM que seja. Quero encontrar um sujeito que diga que "não perde um documentário sobre a tomada da praia de Omaha no History Channel" ou "aquele filmaço cucaracho no Telemundo". O fato é que ninguém consegue assistir ao que realmente quer na TV a cabo. Só quem tem sabe. E - olha só - isso pode ser uma vantagem. Principamente para insônes. Porque cedo ou tarde, você acaba surpeendido por algo que não esperava e acabar gostando.

Zapear pelos 32 canais do meu pacote básico é atividade idem para um início de madrugada. E geralmente começa pelo canal 32, o Max Prime, que tem programação voltada para filmes de todos os gêneros, épocas e idades. Nada muito novo, claro (para isso existem os Telecines e HBOs). E às vezes - beeeeeem às vezes - é possível topar com alguma coisa interessante. Aconteceu comigo numa dessas madrugadas, quando conheci "Spun".

Fui fisgado desde o início, quando os nomes dos atores e seus respectivos personagens começam a aparecer na tela com fontes estilizadas. No fundo, uma canção aparentemente desconhecida, entoada a base de banquinho e violão, pelo cabeça de abóbora Billy Corgan (que também é responsável pelo restante da trilha sonora do filme). "Esquisito", pensei, "a melodia não me é estranha". Aí vem o refrão e entrega tudo: "Six, sixty, sixty, the number of the beast. Hell and fire was spawned to be released". "Caralho! É ´The Number of the Beast´, do Iron Maiden. Só que em versão acústica! Eita...", pensei. Então fiquei e assisti até o final.

Além da presença ilustre de Corgan, a trilha sonora ainda conta com Ozzy, T-Rex, Hellacopters, e outros. Coisa fina para um fim de noite, para quando os neurônios já estão como o desses caras ou como os dos personagens do filme. Que, claro, só poderiam ter saído da cabeça do alucinadaço Jonas Akerlund, responsável pelos melhores e mais premiados videoclipes de gente como Maddona, Moby, Prodigy, U2, Cardigans, Smashing Pumpkins, Mettalica e Iggy Pop.

Daí explica-se a estética visual frenética do filme, montado em linguagem de videoclipe. Cheio de cortes e passagens rápidas, contraste de matizes, closes exagerados, captação de detalhes desfocados e mistura de animação, película e documentário. Lindo e eficiente, pois dá espaço para boas atuações de atores que, salvo exceções, resumem suas carreiras a filmes comportados e voltados para o grande público. Numa obra experimental como "Spun", dá pra ver a gatinha Brittany Murphy, por exemplo, se perfazendo em drogas e striptease; ou o eterno latin boy John Leguizamo nu, se masturbando com uma meia no melhor estilo Red Hot Chili Peppers.

E tem ainda a doce vocalista do Blondie, Debbie Harry, como uma motociclista lésbica durona; o assumido vocalista do Judas Priest, Rob Ralford, como dono de uma locadora de vídeos pornôs; e o próprio Billy Corgan como um médico suspeitíssimo.

Mas o melhor mesmo fica por conta do pai-de-todos dos drogadictos. Mickey Rourke, de botas e chapéu de couro brancos, interpreta um "inventor" de drogas, que passa o dia trancado num quarto de hotel barato, respirando (e piranco com) os gases de suas invenções, assistindo luta-livre e telefonando para prostitutas que atendem a domicílio.

E é nisso que o roteiro se apoia. As desventuras de um garoto e seu traficante em busca de drogas, de amores perdidos, a cura para um cachorro que ficou verde depois de ingerir substâncias suspeitas, policiais querendo aparecer na TV, enfim: nada sobre nada. Nada de muito importante. Nada que vá mudar a vida de ninguém. Mas tudo muito legal. O que, em se tratando de TV a cabo, já é muita coisa.

Eu adoro o Ozzymandhas...

"Se estrume vende mais que flor, vamos encher os jarros de merda"

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Piada sem graça

Alguém além de eu quer dar um soco na cara desse sujeito?

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Divisão

- Vai, pode começar escolhendo. Um Beatle.

- Lennon.

- Esse já foi, você escolheu na última rodada. Escolhe outro.

- Tá. Ah... Ringo, vai.

- Tá. Um Rolling Stone.

- Mick Jagger.

- Um rei.

- Elvis.

- Já foi também, pomba! Checa aí.

- Verdade. Então quero... Jonnhy Rotten.

- Hum. Um branco.

- O Ozzy.

- Um negro.

- James Brown.

- Uma mulher.

- Courtney Love.

- Um ditador.

- O Johnny Ramone já foi, né? Então eu fico com o... Axl Rose.

- Um gay.

- Lou Reed.

- Um Turner.

- Ike.

- Um dos 3 Tenores.

- Pavarotti, claro.

- Um X-men.

- Wolverine.

- Aí, tá vendo? Você tá ficando com os mais legais de novo!

- Ué? Você me deixou escolher primeiro...

- Ah, não. Ô pai, olha o Lú trapaceando! Ele não sabe brincar direito.

- Lúcifer, deixa disso, meu filho...

- Eu, não, pai! Tenho culpa que o Jesus é bocó e só escolhe bunda-mole?

- Não escolho, não! Mas você sempre fica com os divertidos, enquanto só me sobra... ah, você sabe... E além do mais, o jogo é meu.

- Mas as peças são minhas.

- Mas as regras são minhas.

- Então escolhe outro pra brincar. Besta.

- Tonto.

- Chega os dois. Vou guardar isso. Você, já pro seu quarto lá embaixo e só saia quando eu mandar. E você a mesma coisa. E chega de manha.

- Tá bom, pai.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Pêlos

O negócio é que não tenho muitos pêlos. Embora as pernas e braços tenham quantidade suficiente para fazer um volume considerável, tal pelagem é de cor dourada, quase imperceptível para quem enxerga de longe. Num olhada rápida, sou é pelado. Ou depilado.

Entretanto, a natureza gosta de fazer piada. Como não tenho predisposição genética para vestir casaco - ao contrário do Bia e do Denis - acabei por ser contemplado com meia dúzia de longos e grossos grupos de pêlos esparsamente alojados no peito. O que é, convenhamos, ridículo. Pior que não possuir um peito cabeludo, é possuir um peito meio cabeludo. E isso me incomoda deveras, ainda mais por ostentar, do lado esquerdo do torso, uma tatuagem que custou duas horas de dor da mais lancinante e que merece ser mostrada em toda sua forma e traço.

O quê fazer então? Arrancar fora, claro. No começo, utilizava uma pinça. Em frente ao espelho do armário, arrancava os fios, um a um, com força. Mas doía demais para uma operação que, vá lá, nem era assim tão importante. Passei, então, para a depilação com lâmina de barbear. E funcionou. Enquanto faço a barba, deixo a espuma escorrer para o peito e raspo tudo. Eles crescem novamente, claro, mas eu raspo de novo e digo que o corpo é meu e quem manda nele sou eu. Não vou deixar um grupo de pêlos se amotinarem e fazer o que querem. Tenho uma imagem a zelar, oras.

Mas eis que, ao aparar a barba esta semana, olhei para baixo e vi minha barriga. Minha barriga, que mesmo não sendo nenhum exemplo de boa forma, é simpática e, encolhida, chega a dar a impressão que seu dono é chegadíssimo duma academia de musculação. Porém, ela tem pêlos.

Sim, minha barriga, mais que meu peito e até os braços, possui pêlos. E eles estão disposto numa formação até interessante, como se formassem um funil. Legal. Então deixo a espuma da barba escorrer um pouco mais. E passo o Sensor Excel na barriga.

Sou um homem de barriga nua agora. Ou melhor, de torso nu. Não há sequer vestígio de pêlos sobre meu tórax. Do pescoço até a cintura, estou liso como a virilha de uma atriz pornô norte-americana pronta para a ação. Achei que ficou legal. Um tanto estranho, ainda, mas legal. É como se nunca tivesse existido nada ali. Que coisa...

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Canção para o fim da adolescência

When you're talking to yourselfAnd nobody's homeYou can fool yourselfYou came in this world alone...(alone)So nobody ever told you baby, how it was gonna beSo What'll happen to you baby?Guess we'll have to wait and see...1, 2....Old at heart. But I'm only 28And I'm much too young to let love break my heartYoung at heart. But it's getting much too lateTo find ourselves so far apartI don't know how you're supposed to find me latelyAnd what more could you ask from me?How could you say that I never needed youWhen you took everythingSaid you took everything from me...Young at heart. And it gets so hard to waitWhen no one I know can seem to help me nowOld at heart. But I mustn't hesitateIf I'm to find my own way outStill talking to myself. And nobody's home.....(alone)So nobody ever told us baby, how it was gonna beSo What'll happen to us baby?Guess we'll have to wait and seeWhen I find all of the reasonsMaybe I'll find another wayFind another dayWith all the changing seasons of my lifeMaybe i'll get it right next timeAnd now that you've been broken downGot your head out of the cloudsYou're back down on the groundYou don't talk so loud, and you don't walk so proudAnymore. and what for?Well I jumped into the riverToo many times to make it homeI'm out here on my ownDrifting all aloneIf it doesn't showGive it time to read between the lines'Cause I see the storm is getting closerAnd the waves, they get so highSeems everything we've ever known is hereWhy must it drift away and die?I'll never find anyone to replace youGuess I'll have to make it throughThis time, oh this time, without youI knew the storm was getting closerAnd all my friends said I was highBut everything we've ever known's hereI never wanted it to die

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Filme pornô de chuva

- Droga de chuva. Me molhei toda. Me empresta uma toalha?

- Claro. Tome.

- Obrigada.

- Nossa, você é um tesão.

- Então me fode.

- Demorô, gostosa.

Filme pornô de Ano Novo

- Não vai ter post sobre o Ano Novo?

- Nem.

- Por que?

- Sigo o calendário Maia.

- Uau, que tesão. Me come?

- Demorô, gostosa.

terça-feira, janeiro 03, 2006

A pessoa é para o que nasce

Conheci Elise na 7ª série. Era a típica evangélica de classe média adolescente, com tudo o que manda o figurino: cabelo comprido até a cintura, aversa ao uso de calça, desleixada com os estudos e consigo mesma. Gostava de praticar esportes, por isso ia bem em Educação Física, talvez por isso a única área em que conseguia nota acima da média. Na capa do fichário, uma única foto de rosto do ator Brad Pitt cobria o espaço. Mas a fala arrastada e o olha de bagre-morto denunciavam um outro destino para ela. Elise não seria uma mãe de família, tampouco uma fanática religiosa gorducha e de cabelo ensebado com sete filhos a tiracolo. Nem optaria por nenhuma dessas carreiras disponíveis nos manuais de vestibular. Como Édipo, Elise já possuia um destino traçado. Era apenas, claro, uma questão de tempo.

O que não demorou muito. Os primeiros sinais apareceram logo no ano seguinte. Na 8ª série, ela havia cortado os cabelos e aderido ao uso de saias hippies. Na verdade, adotara não apenas um visual, mas uma postura "alternativa" também. O olhar de bagre-morto havia se transformado em um ar blasé para tudo e todos. As aulas, até mesmo as de Educação Física, haviam se tornado apenas um contratempo inócuo para o grand finale que a vida lhe preparava.

Já no último ano do Colegial, Brad Pitt cedeu lugar a Marcelo D2 como ídolo. As aulas não eram mais assistidas, e sim dormidas, embaladas sob o fino efeito de maconha. No pescoço, ostentava uma piteira artesanal para tal fim, feita de bambu e Durepox. Sandálias de tiras de couro cru, saias indianas e blusinhas puídas cobriam seu pequeno e mirrado corpo. A única coisa que a remetia aos tempos idos era o desleixo com a aparência: banho parecia ser coisa cara e totalmente inacessível.

O Colegial acabou e perdi contato com Elise. Dois anos depois, pelos jornais, fico sabendo que ela havia sido fichada na polícia por ter tentado furtar uma cadeira de um shopping da cidade. "Era para uma república de um camarada", me disse, tempos depois, e um inesperado encontro no ônibus da faculdade, que ele havia subido como carona para chegar até a tal república. Não, ela não havia entrado em nenhum curso superior. "Ano que vem vou para a Espanha", respondeu apenas. O ônibus parou e novamente perdi contato com Elise.

Agora, cinco anos depois, a reencontro de maneira mais inesperada ainda. Na padaria onde costumo jantar (figura de linguagem, claro), no meio de uma discussão sobre incentivo cultural outras besteiras, vejo Elise entrar. O mesmo cabelo ensebado. A mesma saia indiana e blusinha puída. Chamo sua atenção. Ela se mostra surpresa com o comprimento do meu cabelo. Pergunto, claro, sobre sua vida. "Então, fui para a Espanha. Já faz cinco anos. Vim só para o Natal e Ano Novo, logo eu volto", diz. O que ela faz por lá? "Ah, virei hippie. Uma hippie européia", desembucha. Conta que vive de artesanato. Passou logo tempo em cidades do litoral e agora está nas montanhas. "Pulseirinhas, tornozeleira, colar, anel, essas coisa", detalha ela, antes de sair embora com um saco de pão e uma garrafa de Coca-Cola nas mãos.

A discussão na mesa reinicia, mas só consigo pensar numa frase que certa vez vi estampada na camisa do Bi Ribeiro, baixista dos Paralamas do Sucesso: a pessoa é para o que nasce. O dito é, na verdade, título de um documentário sobre três irmãs cegas de Campina Grande, na Paraíba, que vivem de cantar em troca de esmolas. Não assisti ao filme, que dizem ser de uma beleza ímpar.

Entretanto, o ar profético, e ao mesmo tempo cruel do título, me fez pensar numa hipótese que sempre descartei. A de que estamos atados a um fim já programado. Que não importa o que façamos nesse meio tempo, pois o resultado é um só e já está determinado. O mito de Édipo é perfeito nesse sentido. Era seu destino matar o pai e tomar a mãe como esposa, tal o oráculo havia previsto. De nada adiantou seu pai afastá-lo do seio da família e mandar matá-lo.

O mesmo pode ser aplicado a Elise. Ela jamais seria uma boa contabilista, uma enfermeira bem sucedida ou uma aeromoça aplicada. A escola, os sub empregos, a vida na cidadezinha do interior, os conselhos da mãe, a criação sob a égide da religião, de nada serviram. Na verdade, serviram apenas como antepasto. Podem ter enganado a fome do destino por um tempo, mas ele é insaciável até que se deleite com o prato principal, quando se esbalda e faz valer sua vontade.

Elise só poderia ter sido hippie. Assim como todos nós, não pôde escapar de seu destino. Ou não?

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Daniela

Daniela é uma puta. Como todas as mulheres de verdade, ela é uma puta. Mas não porque faz sexo por dinheiro, afinal, já tem sua profissão muito bem afinada com sua vocação. Tampouco por sair copulando a torto e a direito, pois isso não faria dela uma puta, e sim uma vadia. E nem toda vadia pode ser uma puta. As putas de verdade não são vadias. São mulheres. E toda mulher de verdade é uma puta. Uma puta porque sabe como transformar garotos em homens, e homens em garotos. E Daniela, como boa puta que é, me transformou em homem.
Na avenida mais movimentada da cidade, numa noite de Natal chuvosa, me obrigou a estacionar entre dois carros. Eu, que mal havia conseguido minha permissão para dirigir. "Vai, bota o carro aí ou não vai ter isso aqui", disse, levantando a saia e exibindo a renda de uma meia 7/8 preta e o início de uma cinta-liga. Quinze minutos depois, lá estava o Santana 2.0 1999 do meu pai encaixado rente à guia. Daniela foi a primeira mulher que me fez fazer uma baliza. E também a última.
Juntos, ela não me deixava ir além de uma nesga de seio, cujos mamilos rosados me faziam ter a maior das ereções. No máximo, me permitiu masturbá-la uma vez. Jamais tocou em meu sexo. Sequer tirou-me as calças. Chegou, sim, ainda na mesma noite e na mesma avenida, a insinuar um toque, subindo em meus quadris e enfiando 2/3 de dedos dentro de minha cueca, enquanto empinava o nariz, desafiadora, e lambia os lábios. Foi o suficiente.
Suas pernas, logo, nunca me foram abertas de fato. Embora gostasse de entrelaçá-las em minhas costas, simulando um coito infantil e imprestável, nunca chegamos as vias de fato. Como diria Caetano, fazíamos um sexo não-ortodoxo a nosso modo. Ou ao modo dela, para ser mais preciso. Ela era a puta. E eu, o garoto que precisa ser transformado em homem. E ainda assim, sem nunca tê-la jamais penetrado, sequer sentido o cheiro de seu sexo, após uma noite com ela, me sentia o mais deflorado dos homens.
Mesmo não sendo mais virgem à época, era como se ela tivesse sido minha primeira mulher.
Mas Daniela é uma puta. A mais perfeita das putas. Me fez dançar Emílio Santiago num antigo boteco do shopping, e convenceu meu orgulho de que era melhor não sermos nada mais do que bons amigos.
Enfiada num tubinho preto de veludo, de mangas longas e barra acima dos joelhos, me levou, de calça-cargo, camisa do Kiss e blusa de flanela xadrez amarrada na cintura, para ver qualquer coisa no cinema numa noite chuvosa. Na volta, fez questão de correr até o carro apenas para se molhar e tirar a roupa. Não toda, evidentemente, mas o suficiente para mostrar sua carne alva em contraste com os cabelos e olhos negros. Olhos de puta. Olhos que sabem esperar, que não hesitam em serem cruéis e se fecham sem dizer adeus.
Então ela sumiu. Mastigou meu coração com algo do tipo "não sei", ou "sei lá".
Eu fui ouvir Rolling Stones. Ela casou. Mudou de cidade. Mas não perdeu a vocação de ensinar. Como puta nata que é, virou professora. Ensina para adolescentes imberbes o be-a-bá inútil das apostilas. Mal sabem eles o que estão perdendo. Eu sei.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Não, não e não

Isso não pode ser verdade. Não pode ser.

Meu inglês só pode estar me pregando uma peça. Eu li errado, tenho certeza.

Pelamor, se alguém realmente entender o que isso significa, me explica, tá? Vou estar ouvindo minha coletânea da Barbra Streisand...

domingo, dezembro 18, 2005

Tentativa de diálogo

- Como você não gosta de balada, gato?

- Ah, nem curto. Sei lá, princípios, entende? Quer dizer, eu...

- Putz, sou maior baladadeira. Segunda a segunda só na perdição, tá ligado?

- Ahã. Legal.

- Ai, meu, o som, a galera, a azaração, nossa, não vivo sem.

- Ah. É que meu lance é outro.

- Ah, sei. Tá.

- Só ouço aquilo que consigo cantar junto ou dedilhar, sabe? Então eu...

- Ah, gato, eu curto dançar. Nossa, me acabo na pista, tá ligado? Tomo uns daikiris e ninguém me segura, sabe? Nossa, não vivo sem uma balada.

- É, pode crer. Ahã.

- Fora que, tipo assim, sempre tem um gatinho pra gente dar uns beijinhos, trocar uns telefones e tal. Mas nada sério, tá ligado? Vou pra curtir mesmo, e tal.

- Ah, tá. É que é meio difícil conversar com alguém dentro de uma boate, e eu gosto de convesar, então prefiro nem entrar e...

- Pô, gato, mas ninguém tá lá pra conversar, né? A azaração é o que conta, tá ligado? Chega junto, fala qualquer besteirinha e se bater, se for um gatinho, rola alí mesmo, na pista.

- Ahã. É. Sei.

- Vamos em um monte, aí sempre rola um lance meio de desespero, sabe? Então é cada uma por si. Nossa, só risada. A turma é muito da hora, dou muita risada quando saio, tá ligado?

- É mesmo? Mas sabe que...

- Ai, nem tô vendo, sabe, gato? O lance é chegar, chegando, ir pra balada, curtir um montão, zuar mesmo. Eu sou assim, e tipo, sou eu mesma, na minha, totalmente sussa.

- Hã...

- Agora vou indo, gato. Hoje tem trance com pagode na Houzes e nem posso perder. Inclusive, ó, tô aqui com as cortesias pras minhas amigas e tudo.

- Ah, tá. Então tá. Eu só...

- Beijo, vô nessa. A gente se vê por aí.

- Tá...

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Essa juventude...

- Vô, que merda é essa?

- É um DVD.

- Dã... eu sei. Mas o que tem nele? Só tem uma língua desenhada...

- Ah, isso foi um culto coletivo que o vovô participou quando era mais novo. Já faz tanto tempo...

- Culto coletivo? Mas você é agnóstico.

- Não. A religião do vovô é a música. Mas você é muito novo pra entender essas coisas. O fato é que, nessa ocasião, os maiores pastores se reuniram para pregar e o vovô foi lá ver.

- Vou colocar, então, tá?

- Tá. Deixa só eu pegar meu Telex e minhas bolinhas. Pronto.

- Nossa, onde foi isso?

- Na Praia de Copacabana, numa cidade chamada Rio de Janeiro. É onde hoje é aquele enorme estacionamento coberto do Wal Mart.

- Caraca... e o quê é praia?

- Era uma faixa de areia com água do mar. É onde hoje é aquele imenso pântano cheio de criaturas radiotivas.

- Hã... Nossa, quanta gente, hein?

- Pois é. Na época, esperavam 1,5 milhão, mas é certo que ultrapassou os 3 milhões. Tinha gente de todo tipo e todas as intenções, mas a maior parte queria mesmo era ouvir a palavra de libertação.

- Desse cara pulando feito uma gazela? Coisa mais afetada...

- Olha a boca, moleque! Quer saber que gosto tem a madeira da minha bengala? Esse é o reverendo mor. Lava a boca antes de falar dele.

- Ô, vô, tá bom, tá bom... e esse outro tocando guitarra? Ele toca fumando?

- Ele fazia tudo fumando. Era o segundo na hierarquia. Tá vendo esse solo? Nessa hora, caí de joelhos e louvei com toda força.

- Eita...

- Olha alí! Olha alí! Pausa! Tá vendo? Olha o vovô alí, de bandana e calça jeans.

- E quem é aquele alí do seu lado com a cabeça enfiada na areia?

- Ah, era o seu tio-avô-de alma, o Denitcho. Nessa hora, ele estava entrando em transe. Como quase todo mundo, na verdade...

- E quando ele volta?

- Nem eu sei. Deve estar em órbita ainda, ou pousado em algum planeta bem melhor que esse. Às vezes, nossa cabeça é o lugar mais seguro para se ficar... Mas toca a fita. Digo, o DVD...

- E essa gostosinha de saia e bota? Putz, ela ergueu a blusa e mostrou os peitos! Locona...

- Nem me diga. Era uma amiga do vovô, sabe... Ei, olha o tamanho desse rapaz.

- Não é o Dringola? O papai fala bastante dele, tem tudo o que é CD dele.

- É, mas na época ele era diagramador do jornal onde o vovô trabalhava e tava começando apenas. Saudades...

- Cadê o Bia?

- Devia estar comprando cerveja ou... ãh... bom, você é muito novo pra saber essas coisas ainda. Mas na época ele era mais que uma cabeça conservada no museu de história natural e um busto na galeria de grandes pensadores do século 21.

- Não é por nada não, mas como eles se mantinham em pé?

- Quer tomar uma bengalada mesmo, né? Eles não eram velhos. Seus corpos podiam ser decrépitos, mas sua música não. E era disso que eles eram feitos e era nisso em que eu acreditava e acredito até hoje.

- E onde eles estão hoje?

- Mortos, claros. Houve um tempo que achávamos que eles jamais morreriam, mas descobrimos que eternos mesmo eles seriam nas retinas de nossas memórias.

- Então por quê nunca ouvi falar deles?

- Porque é muito novo pra isso. Quando for mais crescidinho, vovô te empresta a chave do sótão onde estão umas coisas. Lá vai ter alguma coisa.

- Ah, fala sério, vô! Ele não usam nenhum computador no palco. Não tem nem DJ e... ai, vô, essa bengala dói, pô!

- Juventude de merda. Eles eram homens, não um bando de bichas vestidas com roupinhas descoladas esfregando a mão num disco. Olha alí agora, é a hora do beijo na boca. Putz..

- É, a galera se empolga mesmo com o cara da guitarra. Mas quem é essa garota com você, vovô? É a vovó?

- Sabe que não lembro? Tava tão louco que... ops!

- Humpft! Sei. E como terminou isso tudo?

- E quem disse que terminou? Tá tudo aqui ainda, fervendo meu cérebro. Se bem que podem ser também essas malditas pílulas ou um início de AVC...

- Tá tremendo, vô! Calma, vou chamar o papai...

- Não, deixa. Deixa eu ir com eles.

- Que é isso, vô, é só rock´n´roll!

- Sim, mas eu gosto.