tag:blogger.com,1999:blog-13618486.post-1163116273797625372006-11-09T19:41:00.000-04:002006-11-09T19:51:24.490-04:00Besouros metálicos<ul><br />O que a Rita Lee, o Ozzy Osbourne e o Aerosmith têm em comum? Além de um punhado de rugas disfarçadas por muita cirurgia plástica, todos já gravaram canções dos Beatles - no caso da madrinha do rock brasileiro, versões em português de clássicos conhecidos. O que os levou a isso não importa, assim como centenas de outros que também se aproveitaram do indiscutível magnetismo que apenas uma canção dos Fab Four contém. Mas um ponto é comum: todos se deram bem. Gravar Beatles é como vender pipoca no cinema, que até quem não gosta, compra.<br /><br />A última empreitada nesse sentido que ouvi foi <a href="http://rapidshare.com/files/2155588/Butchering_The_Beatles_-_A_Headbashing_Tribute__2006_.rar.html">"Butchering The Beatles: A Headbashing Tribute"</a>, uma compilação de canções dos ingleses tocadas e cantadas por músicos de heavy metal e hard rock. E o que entrou pelos meus ouvidos me surpreendeu. Esperava, como o próprio nome do disco sugere, um destrinchamento completo de John, Paul, George e Ringo, mas que acabou ficou na promessa das guitarras distorcidas e vocais afetados. Como algo que só é possível quando se trata do grupo mais influente da história, as versões metalizadas das canções ficaram muito, mas muito aquém das originais. E em todos os sentidos, incluindo peso - isso porque estamos tratando com músicos especialistas em furar tímpanos.<br /><br />Mas como músicas gravadas por adolescentes de terninhos na década de 60 podem soar mais fortes e consistentes do que versões feitas por demônios alucinados dotados do melhor equipamento existente hoje? E não são iniciantes na arte de triturar instrumentos. São músicos com longa carreira dedicada ao metal e hard rock, como Alice Cooper, Steve Vai, Billy Idol, Yngwie Malmsteen e Billy Gibbons, para ficar nos dinossauros mais famosos. Gente que, por sinal, cresceu ouvindo os Beatles. Então como soam tão frágeis, tão... sem graça? Bobo, até. Basta ouvir, por exemplo, a segunda faixa, "Back In The USSR", com o lendário Lemmy Kilmister, vocalista do não menos lendário Motorhead. Sua voz, que costumava levantar os cabelos dos pais na década de 70, hoje é quase um suspiro rouco.<br /><br /><a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3861/1204/1600/Front.jpg"><img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 170px; CURSOR: hand; HEIGHT: 174px" height="277" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3861/1204/320/Front.jpg" width="261" border="0" /></a>O problema, acredito, foi a pretensão do projeto (a começar pela capa, uma raridade que segundo mestre <a href="http://rafael.galvao.org/">Galvão</a> parodia o single "Yesterday and Today", de 1966), algo como "temos que soar o mais alto e distorcido possível". Imaginar que peso seja equivalente a socar a bateria com uma marreta soa, no mínimo, ultrapassado e, porque não, até infantil. O mesmo vale para as cordas, quase arrancadas de tão repuxadas que são. O resultado, quero acreditar, não deve ter saído da forma planejada, principalmente para quem conhece o trabalho de alguns músicos envolvidos nele.<br /><br />A não ser que o objetivo tenha sido reforçar o lugar-comum onde o estilo é comumente relegado. Mas, para isso, não era preciso evocar os Beatles. Bastava fazer o que sempre fizeram. </ul><ul></ul><br /><ul></ul><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13618486-116311627379762537?l=zipernaboca.blogspot.com'/></div>Brigateandohttp://www.blogger.com/profile/03965801184486937506noreply@blogger.com15